Presidente diz que está sem tempo e só vem a SP

Em entrevista a portais, Lula afirma que já conseguiu baixar três músicas pela internet

João Domingos, O Estadao de S.Paulo

11 de outubro de 2008 | 00h00

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou ontem que está sem tempo para entrar na campanha política. "Só devo mesmo ir a São Paulo", afirmou ele pela manhã, numa entrevista a portais na internet, entre eles o limao.com.br, do Grupo Estado. Há informações, porém, de que além de tentar ajudar a ex-prefeita Marta Suplicy na eleição em São Paulo, Lula irá também a Juiz de Fora, em Minas, para subir no palanque de Margarida Salomão, do PT. Ela disputa o segundo turno com o deputado tucano Custódio Mattos, apoiado pelo ex-presidente Itamar Franco. Lula iria a Juiz de Fora na última semana da campanha.Indagado sobre o veto do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) à presença de candidatos na internet, Lula disse que, como presidente da República e defensor da liberdade de expressão, é pela liberdade no instrumento, que considera revolucionário. O presidente afirmou que usa muito pouco a rede, porque não tem tempo, mas revelou que já conseguiu baixar três músicas: Viola enluarada, de Paulo Sérgio Valle, que deu de presente para si; O comedor de gilete, de Carlos Lyra, dada ao governador do Ceará, Cid Gomes (PSB), a qual atribuiu ao humorista Ary Toledo; e uma outra, que fala da preguiça dos baianos, da qual não se lembra o nome, presenteada ao governador da Bahia, Jaques Wagner (PT). Mesmo sem saber o nome, ele cantarolou alguns versos dela: "Sou da Bahia, comigo não tem horário, não sou otário e você pode zombar; sou cabra-macho, sou baiano...".Lula disse que quando se aposentar vai acessar muito a internet. "Tem uma coisa extraordinária, que é a gente não sujar os dedos de tinta de jornal". Afirmou ainda que pretende, principalmente, baixar músicas.Chegou a falar sobre a situação das gravadoras. "Não sei como é que elas vão agüentar". Disse também que está procurando deixar um legado aos brasileiros, que é o máximo de condições de navegar na rede. INCLUSÃO"Nós estamos fazendo o maior programa de inclusão digital que o País já pensou ter. Fizemos um acordo com as empresas de telecomunicação e colocamos banda larga em 55 mil escolas públicas urbanas deste País, pusemos telecentros em todos os municípios".O presidente lamentou que o programa Computador para Todos, do governo federal, tenha demorado tanto a sair do papel. "Nós demoramos dois anos apenas para saber se iríamos financiar ou não, coisa que a gente poderia ter feito muito mais rápido, e estar vendendo muito mais", disse. O objetivo do programa, lembrou, é fazer com que as pessoas mais humildes do País tenham acesso aos computadores. Lula afirmou ainda que na quinta-feira chamou a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, e determinou a ela que nos locais da periferia onde há obras de urbanização do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) seja levada também a banda larga da internet.Lula recomendou cuidado, porém, com alguns temas muito sensíveis, como o uso da internet para a propagação da pedofilia. "É preciso ter regras para que não se possa fomentar coisas como pedofilia, ou outras coisas mais graves", disse.

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