Presidente decreta, por solicitação da Câmara, ação de garantia da lei e da ordem

Ministro Raul Jungmann afirma que decisão foi tomada após solicitação do presidente da Câmara

Carla Araújo e Tania Monteiro, O Estado de S.Paulo

24 de maio de 2017 | 17h01

BRASÍLIA - O ministro da Defesa, Raul Jungmann, que foi escalado pelo presidente Michel Temer para dar a resposta do governo às manifestações que ocorrem nesta quarta-feira, 24, em Brasília, anunciou que está decretada uma ação de Garantia da Lei e da Ordem (GLO) e que tropas federais já se encontram no Palácio do Planalto e no Itamaraty e que mais homens chegarão para proteger os ministérios.

Segundo Jungmann, a decisão de Temer foi tomada após solicitação do presidente da Câmara, Rodrigo Maia, e também por conta da violência registrada nas manifestações desta quarta em Brasília.

“Atendendo a solicitação do senhor presidente da Câmara, Rodrigo Maia, mas também levando em conta fundamentalmente que uma manifestação que estava prevista como pacífica, ela degringolou na violência, no vandalismo, no desrespeito, na agressão ao patrimônio público, na ameaça às pessoas - muitas delas servidores que se encontram aterrorizados e que estamos neste momento garantindo a sua evacuação - o senhor presidente da república decretou, repito por solicitação  do presidente da Camara, uma ação de garantia da Lei e da Ordem”, anunciou Jungmann ao lado do ministro do Gabinete de Segurança Institucional, Sérgio Etchegoyen.

Um pouco antes das 18h, no entanto, o presidente da Câmara divulgou nota em que diz que solicitou "a imediata realização de atividades de coordenação de ações e operações integradas de segurança". Maia descreveu "as manifestações que estão acontecendo neste momento nas proximidades do Congresso Nacional" como motivo para o envio da Força Nacional e de Segurança Pública "nas adjacências dos edifícios do Parlamento". Na sequência afirmou: "Essa responsabilidade não pode nem deve ser da Câmara".

Segundo Jungmann, Temer fez questão de ressaltar que “é inaceitável a baderna e o descontrole”. “Ele não permitirá que atos como este venham a turbar um processo que se desenvolve de forma democrática e com desrespeito às instituições”, finalizou.

Jungmann deixou o pronunciamento, feito no Salao Leste do Planalto, sem responder sobre a ausência do ministro da Justiça, Osmar Serraglio, e também nem quantos homens serão deslocados para Brasília.

Silêncio. Pela manhã, interlocutores do presidente Michel Temer estavam pregando o silêncio em relação as manifestações. Auxiliares do presidente diziam que era preciso esperar para ver a adesão e o desenrolar dos fatos. No entanto, após os episódios de violência e de registro de incêndios da Esplanada, auxiliares avaliaram que havia ficado insustentável o silêncio. E, então, o governo escalou Jungmann e Etchegoyen para se manifestarem. Serraglio, na ultima greve geral no fim de abril, tinha sido o escolhido do Planalto para comentar os protestos.

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