Presidente debate crise com o papa Bento XVI

Lula disse ter pedido que ele aborde o tema em suas falas

Leonencio Nossa, VATICANO, O Estadao de S.Paulo

14 de novembro de 2008 | 00h00

O papa Bento XVI manifestou preocupação ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva com a crise financeira internacional. Em audiência fechada de 24 minutos na biblioteca do Vaticano, no fim da manhã, Joseph Ratzinger disse que a crise é "grave", segundo relato do presidente a jornalistas. "Pedi ao papa que nos seus pronunciamentos falasse da crise econômica, pois, se todo o domingo ele der um conselhozinho, quem sabe a gente encontra mais facilidade para resolver o problema", afirmou.Lula gastou mais tempo para percorrer salões e corredores do Palácio Apostólico e cumprir o protocolo do que na conversa com Bento XVI. De acordo com o relato do presidente, foi possível falar da preocupação de que a crise deixe ainda mais pobres as camadas de baixa renda, reclamar da rigidez do controle de imigrantes latino-americanos e africanos na Europa, do combate à fome e de programas do governo, como Luz para Todos e Bolsa-Família, além do acordo assinado ontem que ratifica garantias para a atuação de religiosos no Brasil.O presidente chegou à Sala do Trono, um espaço próximo à biblioteca e decorado com dois quadros do pintor renascentista Rafael, na companhia da primeira-dama Marisa Letícia e dos ministros Dilma Rousseff (Casa Civil), Celso Amorim (Relações Exteriores), Luiz Dulci (Secretaria-Geral) e Nelson Jobim (Defesa). "Muito obrigado", foi logo dizendo Lula quando viu o papa chegar à sala. "Muito obrigado o senhor, por fechar o acordo com a Santa Sé", respondeu o papa, em italiano, referindo-se ao acordo que ratifica, por exemplo, o direito individual do ensino religioso nas escolas, como está na Constituição. Somente o papa, Lula e dois tradutores entraram em seguida na biblioteca, às 11h05 (8h05, horário de Brasília).Depois de 24 minutos, uma campainha anunciou o fim do encontro de Lula com Bento XVI. Foi quando a comitiva brasileira teve acesso à biblioteca.O único que beijou a mão do papa foi o general-de-brigada Gonçalves Dias, chefe da segurança de Lula. Dilma, Marisa e a embaixadora Vera Barroso usavam um véu preto. Ganharam um terço. O papa ofereceu ao presidente uma caneta. Lula retribuiu com a escultura de barro de uma família de retirantes nordestinos, do artista Manoel Eudócio, do Alto do Moura, Caruaru. "Esperamos recebê-lo novamente no Brasil", disse o presidente. O papa agradeceu o convite.

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