Presidente de Israel pede desculpas para Dilma

O presidente de Israel, Reuven Rivlin, telefonou na tarde desta segunda-feira para a presidente Dilma Rousseff para lhe pedir desculpas pelas declarações dadas pelo porta-voz da chancelaria, Yigal Palmor. Há duas semanas, ele classificou o Brasil de "anão diplomático" e disse que o País estava se transformando em "um parceiro diplomático irrelevante, que cria problemas em vez de contribuir para soluções".

TÂNIA MONTEIRO, Estadão Conteúdo

11 de agosto de 2014 | 21h45

Em resposta às afirmações, o Brasil chamou de volta ao País, para consultas, o embaixador em Tel Aviv, Henrique Sardinha Filho, o que causou irritação ao governo israelense que disse ter ficado "desapontado" com a atitude do governo brasileiro. Segundo nota sobre o telefonema distribuída pelo Palácio do Planalto, "o chefe de Estado israelense apresentou desculpas pelas recentes declarações do porta-voz de sua Chancelaria em relação ao Brasil" e "esclareceu que as expressões usadas por esse funcionário não correspondem aos sentimentos da população de seu país em relação ao Brasil".

Os dois presidentes conversaram ainda sobre a grave situação atual na Faixa de Gaza, segundo a nota do Planalto. Dilma afirmou que o governo brasileiro "condenará e condena ataques a Israel, mas que condena, igualmente, o uso desproporcional da força em Gaza, que levou à morte centenas de civis, especialmente mulheres e crianças". Dilma fez questão ainda de reiterar "a posição histórica do Brasil em todos os foros internacionais de defesa da coexistência entre Israel e Palestina, como dois Estados soberanos, viáveis economicamente e, sobretudo, seguros".

O presidente de Israel, por sua vez, também de acordo com informação do Planalto, destacou que seu país estava defendendo-se dos ataques com mísseis que seu território vinha sofrendo.

Na conversa com o presidente israelense, Dilma disse que tem "esperança de que a continuidade do cessar-fogo e as negociações atuais entre as partes possam contribuir para uma solução definitiva de paz na região". Para Dilma, ainda conforme informou o Planalto, "a crise atual não poderá servir de pretexto para qualquer manifestação de caráter racista, seja em relação aos israelenses, seja em relação aos palestinos".

Dilma lembrou ainda os "laços históricos que unem os dois países há várias décadas". Na semana passada, o Brasil já havia decidido que o embaixador do Brasil em Israel, Henrique Sardinha, deveria retornar nos próximos dias a Tel Aviv. O entendimento do Planalto era de que a convocação de Sardinha para consultas sobre a ofensiva israelense na Faixa de Gaza já cumpriu o gesto político que o governo federal queria fazer a Israel.

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