Presidente de conselho desdenha opinião pública

Paulo Duque, que presidirá sessões de julgamento de Sarney, diz que ela ?é muito volúvel?

Eugênia Lopes, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

17 de julho de 2009 | 00h00

O novo presidente do Conselho de Ética do Senado, Paulo Duque (PMDB-RJ), disse que não está preocupado com o que a opinião pública possa pensar dele, um aliado do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP). Caberá a Duque presidir as sessões de julgamento do presidente da Casa, alvo de uma denúncia por quebra de decoro e de quatro representações. "Não estou preocupado com isso. A opinião pública é muito volúvel. Ela flutua", afirmou ontem. "Não temo ser cobrado por nada. Quem faz a opinião pública são os jornais, tanto que eles estão acabando." Duque observou ainda que "nomeações políticas sempre existiram desde que o Brasil é República, desde que o Brasil foi descoberto". Na quarta-feira, logo depois de ter sido eleito presidente do Conselho de Ética, numa manobra feita pelos aliados de Sarney e de Renan, Duque admitiu as ligações políticas. "Não existe independência total na política. Isso existe em todo o Congresso Nacional, em todo lugar e aqui também." Ele acrescentou ainda que o Senado cassou até hoje apenas um parlamentar - Luiz Estevão (PMDB-DF), no ano 2000, por supostamente ter desviado R$ 169 milhões das obras do Fórum Trabalhista de São Paulo.Como presidente do Conselho de Ética, Duque tem poderes para mandar arquivar sumariamente as denúncias e a representação do PSOL que pedem a cassação do mandato do presidente do Senado. A oposição já avisou, no entanto, que vai recorrer, caso o presidente do conselho barre as investigações ainda no início. Ao ser indagado sobre o que fará com a representação, Duque enfatizou que "vai fazer o que o regimento manda".No dia 25 de junho, Duque recebeu a missão do PMDB para ler nota divulgada por Sarney sobre reportagem do Estado referente à ligação de um neto do presidente da Casa, José Adriano Cordeiro Sarney, na venda de empréstimos consignados para servidores, por meio da empresa Sarcris. Duque leu ainda a resposta do neto.Paulo Duque é o segundo suplente de Sérgio Cabral (PMDB), que no fim de 2006 renunciou à vaga para assumir o governo do Rio de Janeiro. O primeiro suplente, Régis Fichtner, deixou a vaga para Duque por ter assumido a chefia da Casa Civil do governo de Cabral.Esta não é a primeira vez que um parlamentar diz não se importar com a opinião pública. Em maio, o deputado Sérgio Moraes (PTB-RS), primeiro relator do processo contra Edmar Moreira (sem partido-MG), conhecido como "o deputado do castelo", declarou estar "se lixando para a opinião pública", ao assumir que opinaria pela absolvição do parlamentar.Edmar respondeu a processo por quebra de decoro por ser suspeito de ter beneficiado as próprias empresas com o uso de dinheiro da Câmara. Acabou absolvido, mas Sérgio Moraes foi afastado do caso.

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