Presidente da UGT diz que não acredita que reforma da previdência será enviada esta semana

'Entre 10 parlamentares e 50 milhões de trabalhadores, eu acho que ele vai preferir o povo', afirmou Ricardo Patah após reunião com o ministro da Secretaria de Governo, Geddel Vieira Lima

Carla Araújo, O Estado de S.Paulo

26 de setembro de 2016 | 18h18

BRASÍLIA - O presidente da União Geral dos Trabalhadores, Ricardo Patah, afirmou nesta segunda-feira, 26, após reunião com o ministro da Secretaria de Governo, Geddel Vieira Lima, que não acredita que o governo enviará nesta semana ao Congresso o texto da Reforma da Previdência. Segundo Patah, o ministro ficou de conversar ainda nesta segunda com o presidente Michel Temer sobre a necessidade de melhorar o debate com sindicalistas sobre o tema antes de enviá-lo. 

"Antes de estar definido no cargo, o presidente se comprometeu que toda e qualquer mudança na área trabalhista aconteceria após dialogo com as centrais, o que ainda não ocorreu", disse Patah, ressaltando que não há novas reuniões marcadas entre sindicalistas e governo para essa semana. "Não dá pra colocar uma MP com essa responsabilidade sem ter dialogo com os trabalhadores."

Segundo ele, a promessa de Temer feita a "10 parlamentares" não pode passar por cima de um compromisso com os trabalhadores. "Eu imagino que pela sensibilidade que tem ele vai valorizar os diálogos nos dois lugares, mas entre 10 parlamentares e 50 milhões de trabalhadores, eu acho que ele vai preferir o povo", afirmou. 

Por pressão da cúpula do PSDB, Temer acertou no início do mês que proposta seria enviada até o dia 30 deste mês. Sendo enviada perto da eleição, a proposta teria menor influência política na campanha, agradando aos parlamentares da base. Faria, também, com que Temer cumprisse a palavra com o PSDB, enviando a proposta ainda neste mês e evitando ser acusado de "estelionato eleitoral", caso deixasse para fazê-lo depois da eleição.

Patah disse ainda que o ministro Geddel afirmou que o texto da reforma ainda não está pronto, mas com algumas questões já definidas como a idade mínima de 65 anos. "Não entramos nos detalhes", disse. Segundo ele, a conversa desta segunda serviu para que os sindicalistas mostrassem sua preocupação com o tema. "Nós temos ouvido de vários setores do governo, informações da reforma trabalhista e previdenciária e isso nos deixa muito inseguros, viemos ver com clareza a postura o governo", disse. 

Para Patah, Geddel mostrou "sensibilidade" com os movimentos dos trabalhadores.  "Entendemos que essa semana não vai haver nenhuma surpresa no Congresso que trate da reforma da previdência", disse.

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