Presidente da Radiobrás defende distância de ação partidária

O presidente da Radiobrás, Eugênio Bucci, defendeu nesta segunda-feira que os veículos de comunicação públicos sejam protegidos da ação partidária dos governos. Bucci, que pôs o cargo à disposição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, afirmou que existe no Brasil uma confusão entre o que é estatal e público e a falsa idéia de que um sistema de comunicação estatal tem de ser governista. Há setores do PT que pressionam para que a estatal de comunicação abandone a linha editorial independente e se restrinja mais à publicidade dos atos do governo Lula. "O sistema estatal não precisa ser governista. E não deve ser. Quando é governista, está incorrendo num desvio da sua finalidade", disse Bucci, na solenidade de lançamento do I Fórum Nacional de TVs Públicas, no Rio. "Estamos em busca do exercício republicano e ninguém tem autorização para partidarizar aquilo que é estatal", afirmou o presidente da Radiobrás.Ao lado do ministro da Cultura, Gilberto Gil, Bucci afirmou que estatais de comunicação como a Radiobrás e instituições públicas como as TVs devem ter suas diretrizes aproximadas da área da Cultura. "Precisamos trabalhar com a idéia de uma comunicação que seja livre das contingências partidárias que naturalmente têm ensejo no núcleo de um governo. A comunicação pública deve se articular em torno da Cultura. Esse é o passo fundamental que vejo nesse momento", disse Bucci, que recebeu da platéia de agentes culturais o apoio de uma demorada salva de palmas. Apesar de não defender formalmente a mudança de posição de empresas como a Radiobrás no organograma do governo, Bucci criticou a proximidade da ação política dos veículos de comunicação públicos. "Fazer comunicação pública não é função da mão forte da política governamental", defendeu. Além do discurso contundente, Bucci concordou, balançando afirmativamente a cabeça, com a fala de Rodrigo Lucena, da Associação Brasileira de TVs Legislativas, que defendeu que os veículos públicos não podem aceitar serem submetidos apenas aos interesses da classe política.Um grupo de petistas insatisfeito com a linha editorial independente da Radiobrás, que não impediu a divulgação de reportagens desfavoráveis ao governo e a cobertura de escândalos como o do mensalão, quer aproveitar a reforma ministerial para substituir Bucci. Recentemente, o senador Eduardo Suplicy (PT-SP) saiu em defesa dele. O presidente da estatal, no entanto, negou nesta segunda que sofre pressões do PT e disse ter entregue o cargo ao presidente num ato de formalidade. Sem querer dizer se gostaria de permanecer no cargo, ele afirmou que nunca foi favorável à recondução em cargos públicos.

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