Presidente da Petrobrás defende permanência de Palocci em conselho

José Sérgio Gabrielli diz que não há motivo para ex-ministro, eleito para o cargo no fim de abril, deixar órgão da estatal

Kelly Lima, de O Estado de S. Paulo

08 de junho de 2011 | 19h22

RIO - O presidente da Petrobrás, José Sérgio Gabrielli, defendeu nesta quarta-feira a permanência do ex-ministro da Casa Civil, Antônio Palocci no Conselho de Administração da estatal. Em entrevista em evento no Rio, o executivo afirmou que Palocci não tem por que deixar o assento no Conselho, cargo para o qual foi eleito no final de abril.

 

Segundo ele, os convite feitos para integrar o Conselho são direcionados às pessoas físicas e não estão atrelados ao cargo que ela ocupa no governo. "O ex-ministro Palocci foi eleito por um ano e deverá ficar este ano. Não cabe à Petrobrás qualquer decisão sobre isso", afirmou, destacando que a eleição dos membros do conselho acontece apenas uma vez por ano dentro da Assembleia Geral Ordinária (AGO). Gabrielli defendeu Palocci, dizendo que o ex-ministro é uma "pessoa de alta competência". "A Procuradoria arquivou as denúncias e ele renunciou para não prejudicar o governo. Se ele decidir ficar ou não (no Conselho) é com ele", disse.

 

Caso decidisse sair por conta própria, segundo Gabrielli, o lugar ficaria vago até nova assembleia geral ocorrer em abril de 2012, ou poderia ser preenchido por um outro nome indicado pelo atual presidente do Conselho, o ministro da Fazenda Guido Mantega. Ontem em Brasília, fontes afirmaram que é intenção de Palocci deixar o cargo.

 

Esta não seria a primeira vez que um ex-ministro afastado do governo petista sob suspeitas de irregularidades é mantido no Conselho da Petrobrás. O ex-ministro de Minas e Energia do governo Lula, o engenheiro Silas Rondeau, ocupou o cargo até abril deste ano, mesmo tendo deixado o ministério em maio de 2007, acusado de favorecer empreiteiras em licitações públicas. Rondeau tinha sido eleito para o conselho um ano antes, logo depois de ter assumido o MME no lugar da então ministra Dilma Rousseff, que foi para a Casa Civil substituir Palocci. O ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, não foi indicado para o cargo nem na atual gestão e nem na anterior, durante o governo Lula, por ser senador eleito pelo estado do Maranhão.

 

Durante todo o período em que se manteve no Conselho - foi reeleito quatro vezes - Rondeau foi alvo de várias críticas e denúncias. As principais delas por ele ter uma consultoria privada no segmento de energia, que presta serviços para empresas com projetos de energia eólica, área em que a Petrobrás pretende expandir sua atuação, além da companhia Engevix, que ganhou licitação no final do ano passado para a construção de oito cascos de plataformas que serão instaladas na área do pré-sal da Bacia de Santos. Apesar das críticas, o aliado do presidente do Senado José Sarney se manteve não somente no Conselho de Administração da Petrobrás, como também no da BR Distribuidora durante cinco anos.

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