Presidente da OAB toma posse e pede ação do governo

Ao ser empossado neste domingo como presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Roberto Antonio Busato, criticou os procedimentos de combate à pobreza adotados até agora pelo governo federal e cobrou políticas efetivas, em vez de propaganda, para garantir o bem-estar das classes mais humildes. "Para que a esperança não se transforme em desengano, a sociedade tem que continuar se indignando com a realidade social brasileira", disse. "O bem-estar básico dos mais humildes deve ser um compromisso efetivo e não mero expediente propagandístico".Estavam presentes à solenidade o ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Maurício Corrêa, e seu vice-presidente, Nelson Jobim. Busato defendeu o controle externo do Judiciário e responsabilizou o governo pela morosidade do funcionamento daquele Poder. "É o poder público, e não o cidadão comum, o responsável pela montanha de processos que sufocam os tribunais" afirmou. "O cidadão é a vítima nesses processos. O poder público é o réu que retarda os pagamentos de suas obrigações de maneira vergonhosa e antiética." Ele lembrou que atuam no País pouco mais de 10 mil juízes, distribuídos nas esferas federal e estadual, para atender 185 milhões de habitantes.Com mandato até 2007, Busato substitui Rubens Approbato Machado no cargo. Ele assegurou que a entidade estará atenta para colaborar com o fortalecimento da ordem social do País, que depende da estabilidade econômica e da criação de oportunidade de emprego. Busato garantiu que a OAB compartilha da esperança do povo brasileiro em transformações pacíficas, dentro da lei e da ordem, que conduzam à inclusão social. "A Ordem compreende que não se muda aos solavancos uma estrutura socioeconômica por mais injusta", ressalvou. "Mas entende também que é preciso ousar, avançar, arrostar perigos, afirmar corajosamente posições porque a exclusão social do País, com maior nível de concentração de renda do planeta, reclama urgência."

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