Presidente da OAB pede esclarecimentos sobre doação de R$ 1 milhão a Temer

A defesa de Dilma Rousseff apresentou ao TSE uma série de documentos que apontam que Temer foi o beneficiário de uma doação de R$ 1 milhão feita pela Andrade Gutierrez, uma das empreiteiras que estão na mira da Operação Lava Jato

Rafael Moraes Moura, O Estado de S. Paulo

11 de novembro de 2016 | 10h49

Brasília - O presidente nacional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Claudio Lamachia, defendeu na noite desta quinta-feira, 10, esclarecimentos a respeito do repasse de R$ 1 milhão da empreiteira Andrade Gutierrez para a conta da campanha de Michel Temer nas eleições de 2014, quando o peemedebista concorreu a vice na chapa encabeçada por Dilma Rousseff.

A defesa de Dilma Rousseff apresentou ao TSE uma série de documentos que apontam que Temer foi o beneficiário de uma doação de R$ 1 milhão feita pela Andrade Gutierrez, uma das empreiteiras que estão na mira da Operação Lava Jato. A defesa de Dilma alega que os documentos contradizem a versão do executivo Otávio Azevedo, ex-presidente da Andrade Gutierrez, que afirmou em depoimento que a campanha eleitoral de Dilma recebeu do Diretório Nacional do PT o valor de R$ 1 milhão, tendo a empreiteira como doadora originária. O dinheiro teria origem ilícita, oriundo de desvios em contratos firmados entre a empresa e o governo federal.

Em petição protocolada no TSE, os advogados de Dilma sustentam que, ao contrário do afirmado por Azevedo, o dinheiro não foi transferido do diretório nacional do PT à campanha de Dilma e sim do diretório nacional do PMDB para a conta da campanha de Michel Temer.

"A sociedade precisa saber se esses recursos são legítimos ou fruto de propina. Outro ponto que precisa ser esclarecido é sobre qual conta foi usada para receber o dinheiro", disse Lamachia, em nota.

"A OAB acompanha com atenção os desdobramentos desse fato para cumprir com rigor sua função de defender os interesses da sociedade e o cumprimento da Constituição. Se necessário, a OAB usará de suas prerrogativas constitucionais para fazer valer os interesses da cidadania", concluiu o presidente da OAB.

Cancelamento. Relator do processo que pode levar à cassação da chapa Dilma/Temer, o ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) Herman Benjamin decidiu nesta quinta-feira (10) cancelar a acareação marcada para o dia 17 de novembro entre Otávio Azevedo e o ex-tesoureiro da campanha de Dilma Edinho Silva (PT).

A acareação havia sido marcada para ocorrer na quinta-feira da próxima semana (17), às 18h, na sede do TSE, em Brasília. Em vez de realizar a acareação entre Edinho e Azevedo, o ministro decidiu ouvir novamente apenas Otávio Azevedo, no mesmo local e horário.

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