Presidente da GTech contesta Waldomiro

O presidente da GTech do Brasil, Fernando Antônio de Castro Cardoso, contestou ontem a versão que o ex-subchefe de Assuntos Parlamentares do governo Waldomiro Diniz, apresentou para a sua atuação na renovação do contrato da empresa com a Caixa Econômica Federal.Enquanto Waldomiro, em depoimento à CPI da Loterj e do Rioprevidência, afirmou ter participado de uma reunião com a GTech, no início de 2003, a pedido do empresário Carlos Ramos, o Carlinhos Cachoeira, o executivo disse aos deputados que o encontro foi marcado pelo ex-subchefe, após intermediação feita por Cachoeira junto à Gtech. Cardoso disse que a empresa não entendeu a presença de Ramos na ocasião.?Fomos convidados pelo senhor Waldomiro Diniz para uma reunião em Brasília, para tratar de Caixa Econômica?, declarou Cardoso. ?E ficamos surpresos pelo senhor Carlos Ramos, segundo testemunho de nossos executivos, estar participando. Não sabíamos que ele estaria e que aquele assunto lhe seria pertinente. Realmente, não entendemos isso.?Na época, estava no fim a discussão da renovação do contrato. Waldomiro alegou na CPI que era chantageado por Cachoeira com a fita de vídeo em que aparecia negociando propina, contribuições ilegais para campanhas políticas e mudanças em um edital de licitação. O ex-subchefe afirmou que Cachoeira lhe dissera: ?Não precisa de nada, eu só quero que você vá lá conhecer os empresários, eu quero fazer uma parceria com eles e eu quero que você diga que eu tenho um contrato lá no Rio de Janeiro e que está tudo bem.? Waldomiro disse que sua participação se restringiu a isso e que logo depois se retirou. Segundo Cardoso, porém, a GTech mantinha contatos comerciais com Cachoeira desde 1997, quando o empresário subcontratou a Racimec, ligada à empresa. Os serviços foram prestados, informou, até janeiro de 2002, quando o contrato acabou e não foi renovado. ?E não foi renovado por uma razão muito simples: o senhor Carlos Ramos, de parceiro, se transformou em concorrente?, explicou.Naquele mesmo ano, relatou, Cachoeira procurou de novo a GTech, para discutir nova parceria, em loterias estaduais. A proximidade, aparentemente, dispensaria a atuação de Waldomiro para ?apresentar? Cachoeira.As declarações reforçaram entre os deputados a suspeita de que a Gtech teria desistido de uma ação judicial contestando o edital da licitação vencida pelo consórcio Combralog, no qual Cachoeira tem participação, em troca da renovação do contrato com a CEF, supostamente intermediada por Cachoeira. Cardoso negou essa possibilidade: segundo ele, os dois fatos não têm ligação. Ele insistiu em que a empresa perdeu a ação na primeira instância e não recorreu por não considerar mais o contrato como vantajoso.EncontrosCardoso contou que, inicialmente, quando a GTech foi contatada por Waldomiro para discutir as relações com a Caixa, seus diretores não sabiam quem era (ex-presidente da Loterj, na ocasião, Waldomiro já trabalhava no governo federal) e nem retornaram a ligação.Foi Cachoeira que telefonou depois e lhes disse que Waldomiro tinha interesse em conversar. O então subchefe telefonou novamente e marcou a reunião. Houve ainda um segundo encontro, no qual Waldomiro disse que a GTech seria procurada por alguém que tinha agilizado o contrato.Segundo Cardoso, após a reunião a empresa foi procurada por Rogério Buratti, ex- secretário da primeira gestão do hoje ministro da Fazenda, Antonio Palocci, na prefeitura de Ribeirão Preto (SP). Buratti se apresentou com ?consultor de relações governamentais?. Depois, num terceiro encontro, o próprio Waldomiro assegurou que Buratti deveria ser contratado como consultor. ?Só posso reiterar que não houve interferência do senhor Buratti e do senhor Waldomiro na renovação do contrato?, afirmou. ?Houve uma economia para a Caixa, no primeiro ano, de R$ 59 milhões.?Um dos relatores da CPI, Luiz Paulo Corrêa da Rocha (PSDB), declarou que vai pedir a convocação de Buratti. ?Acho que esse é um homem que precisa ser investigado?, afirmou. A proposta deverá ser votada pela CPI no próximo dia 28.

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