Presidente da Firjan diz que a crise atual é responsabilidade da situação e da oposição

Presidente da Federação das Indústrias do Rio de Janeiro Eduardo Eugenio Gouvêa Vieira afirmou que partidos precisa deixar de lado uma 'disputa eleitoreira, partidária' e buscar uma saída para o País

Luciana Nunes Leal, O Estado de S. Paulo

07 de agosto de 2015 | 19h50

Rio - No dia seguinte ao da publicação de uma nota conjunta das Federações das Indústrias do Rio de Janeiro e de São Paulo em defesa de um esforço coletivo para enfrentar a crise política e econômica, o presidente da Firjan, Eduardo Eugenio Gouvêa Vieira, afirmou na tarde desta sexta-feira, 7, que a responsabilidade da atual situação é "da situação e da oposição", que precisam deixar de lado uma "disputa eleitoreira, partidária" e buscar uma saída para o País. O empresário também criticou o programa de televisão exibido pelo PT na noite de quinta-feira, por supostamente investido no confronto.

"Políticos da situação e da oposição foram eleitos para promover o Brasil, e hoje a discussão coloca o Brasil em um nível muito menor do que deveria. O Brasil é maior do que essa disputa eleitoreira, partidária. O importante são 200 milhões de brasileiros, são as pessoas que foram para a classe C e agora estão ameaçadas de desemprego, de fome. É hora de ter uma dose de estadista. Não me refiro à presidente Dilma Rousseff em particular, me refiro aos políticos de maneira geral. O grito dos empresários é um chamamento aos políticos que têm voto, que estão no parlamento e no Executivo. A população não está gostando desse jogo", afirmou Gouvêa Vieira.

O empresário citou o panelaço da noite de quarta-feira, promovido em várias cidades do País durante o programa do PT na televisão. "Ontem (quarta-feira) vimos um protesto gigantesco, não em cima de uma pessoa, mas de uma situação que os políticos inventaram. É preciso espírito de concórdia. O programa de ontem (do PT) não teve espírito de concórdia. A população está indignada. Para construir a concórdia tem que ter humildade. Se queremos ser a sexta economia do mundo, não vai ser com essa política que vamos conseguir. Tem que ter limite de gastos públicos, reforma do Estado, que se exauriu", disse o presidente da Firjan. Para Gouvêa Vieira, o aumento descontrolado do gasto público e uma máquina estatal com 38 ministérios não condizem com o modelo de "Estado moderno" que o Brasil deveria perseguir. "Não há empresário com coragem para investir nesse marasmo", afirmou. 

"As pessoas batem panela e os empresários resolveram chamar atenção dos políticos", disse. "Os empresários tinham um sentimento guardado e chega a hora em que sai o grito". A gota d'água, segundo Gouvêa Vieira, foi a conclamação do vice-presidente Michel Temer por uma união para tirar o País da crise, feita na quarta-feira. "É preciso que alguém tenha capacidade de reunificar a todos", afirmou Temer. 

Gouvêa Vieira diz que os escândalos do esquema de corrupção na Petrobrás, investigado pelo Ministério Público e pela Polícia Federal, aumentaram a indignação da população. Para ele, não há paralelo com o escândalo do mensalão, que em 2005 trouxe à tona o pagamento de propina para parlamentares da base do governo de Luiz Inácio Lula da Silva. "Era difícil para a população entender o mensalão. O petrolão está escancarado, com as pessoas roubando e destruindo a maior empresa brasileira. Isso tudo impulsionado pela falta de liquidez, de recursos, pelo desemprego, pelo desânimo, pela decepção com os governantes. É uma fotografia completamente diferente (a situação de hoje e a do período do mensalão)". 

O vice-presidente da Firjan, Carlos Fernando Gross, disse que o empresariado tem confiança que os políticos possam chegar a uma saída para a crise. "Os empresários querem estabilidade econômica e política, para planejar, criar novos negócios, ganhar dinheiro, querem regras corretas para a economia. Temos a maior confiança na classe política brasileira, que em momentos difíceis sempre resolve. A política no Brasil é bem feita. Falo dos políticos sérios, que existem em todos os partidos", afirmou. Gross acredita que a "pauta bomba" da Câmara, com aprovação de projetos que implicam em aumento de gastos, não irá adiante no Senado. "Pauta bomba no Senado não existe. É importante que, em vez das vaidades pessoais, se aglutinem as lideranças", declarou.

Tudo o que sabemos sobre:
protestoscriseFirjan

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.