Presidente da Finatec nega desvio para apartamento de reitor

Antônio Manoel depôs na CPI das ONGs; a fundação ligada à UnB é acusada de ter desviado parte de R$ 13 mi

Agência Senado,

25 de março de 2008 | 15h02

O presidente afastado da Fundação de Empreendimentos Científicos e Tecnológicos (Finatec) da Universidade de Brasília (UnB), Antônio Manoel Dias Henriques, negou nesta terça-feira, 25, que tenha sido o responsável pela liberação de recursos públicos da instituição para mobiliar luxuosamente o apartamento funcional que foi ocupado pelo reitor da UnB, Timothy Mulholland.   Veja também:    Sem quebra de sigilo, presidente da CPI das ONGs ameaça deixar cargo  MP pede quebra de sigilo bancário de presidente da Finatec     Em depoimento à CPI das ONGs, Antônio Manoel disse que a liberação de recursos do fundo da Finatec cabe ao diretor-presidente e ao diretor-financeiro da instituição, e não a ele, que ocupa o cargo de presidente do Conselho Superior da Finatec. A Finatec é acusada de ter desviado parte de R$ 13,896 milhões de dinheiro público, destinado a tratamento de saúde de indígenas de comunidades do Distrito Federal.   "Entendo que esses recursos poderiam ter sido melhor aplicados, mas, como presidente do Conselho Superior, não tenho qualquer atribuição executiva. Essa questão do apartamento nunca foi levada ao conselho", afirmou à CPI.   O presidente da Finatec admitiu ainda que desenvolve projetos principalmente para órgãos públicos, mas negou que os tenha terceirizado com o objetivo de beneficiar empresas privadas ou determinados gestores públicos. "Não são as prefeituras que procuram a Finatec para atender suas demandas, mas sim a Finatec que oferece seus produtos a prefeituras e ministérios, com o objetivo de gerir melhor os recursos públicos desses órgãos", explicou.   O relator da CPI, senador Inácio Arruda (PCdoB-CE), lembrou então a Antônio Manoel que a principal denúncia que pesa contra a Finatec, que está sendo investigada pelo Ministério Público do Distrito Federal (MPDF), é justamente a de ter se desviado de suas funções para se tornar uma grande intermediadora de interesses de empresas privadas.   Impasse   Diante do impasse a respeito da aprovação ou não das contas da Finatec por parte do Ministério Público e da afirmação de Antônio Manoel de que as fundações de apoio às universidades são fundamentais para o desenvolvimento científico e tecnológico no país, o senador Heráclito Fortes (DEM-PI) propôs uma acareação entre Antônio Manoel e representantes do Ministério Público.   Em depoimento à CPI no último dia 4, o promotor de Justiça Gladaniel Palmeira de Carvalho afirmou que não via sentido na existência dessas fundações de apoio. O representante do MP disse ainda que havia encontrado várias irregularidades na Finatec e que o problema não era isolado, pois o Ministério Público havia constatado problemas também nas outras quatro fundações de apoio ligadas à UnB.   Também convocado para depor, o diretor da Editora da UnB, Alexandre Lima, não compareceu à CPI.

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