Presidente da CUT acredita em motivação política

O presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), João Felício, não descarta a hipótese de que o assalto ao prédio da Central, ocorrido na madrugada deste sábado, tenha motivação política. Em Porto Alegre, Felício falou das coincidências que estão ocorrendo ultimamente, vitimando pessoas e instituições ligadas à esquerda. "Pode até ser um assalto comum, mas achamos muita coincidência, pois não há nada o que se levar da CUT, não temos dinheiro e também não temos nada a esconder", ponderou. Felício informou que já conversou com o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), e pediu providências para que o fato seja apurado com muito rigor. "Informamos ao governador que um fato desta natureza, - o assalto a um dos símbolos de resistência desse País - tem de ser esclarecido".Ao explicar as razões pelas quais diz não acreditar em coincidência, o presidente da CUT citou os assassinatos recentes de dois prefeitos do PT, as ameaças recebidas por integrantes deste partido e o assassinato de um membro da executiva nacional da CUT, em dezembro do ano passado, no Rio de Janeiro. "Vivemos um momento delicado, de total insegurança. Se a invasão do prédio da CUT for mesmo um crime político, significa que estamos vivendo um momento de retrocesso em nossa sociedade", lamentou.Segundo a CUT, o prédio situado em São Paulo foi invadido por volta das 6 horas da manhã deste sábado por 10 homens vestidos com coletes da polícia civil. Foram roubados vários objetos inclusive os computadores. Felício disse, ainda, torcer para que o crime não seja político. E completou: "Sejam quais forem as razões desse crime, quero deixar claro que a CUT não vai se intimidar". "É um processo de desestabilização?, diz DirceuPara presidente nacional do PT, deputado federal José Dirceu, está havendo uma escalada de provocações contra o partido. "É um processo de desestabilização no País. Isso é crime organizado", declarou. José Dirceu recebeu um telefonema às 11 horas do ministro da Justiça, Aloysio Nunes Ferreira. O deputado disse ao ministro que o episódio da invasão da CUT é muito grave. "É um sintoma muito ruim. Tem alguma coisa que não bate nessa série de crimes e atentados contra o PT", afirmou Dirceu para Aloysio.

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