André Dusek/Estadão
André Dusek/Estadão

Presidente da CPI pede que PF investigue denúncia de fraude

Após pedir sindicância no Senado, Vital do Rêgo entrega ofício à Polícia Federal para apurar suposta combinação de perguntas e respostas entre integrantes da comissão e a cúpula da Petrobrás

RICARDO BRITO, Agência Estado

05 de agosto de 2014 | 12h14

Brasília - O presidente da CPI da Petrobrás do Senado, Vital do Rêgo (PMDB-PB), pediu na manhã desta terça-feira, 5, ao diretor-geral da Polícia Federal, Leandro Daiello, que investigue as suspeitas de uma possível combinação de perguntas e respostas entre integrantes da comissão e a cúpula da estatal. O caso veio à tona neste fim de semana, após a revista Veja ter revelado um vídeo no qual depoentes representantes da Petrobrás conversam sobre o "gabarito" das apurações.

Vital do Rêgo entregou pessoalmente, pela manhã, ao diretor-geral da PF, um ofício no qual pede a investigação do caso. A polícia terá, entre outras opções, que determinar a abertura de um inquérito sobre a suposta combinação. Nessa segunda, o presidente da CPI já havia pedido à Direção Geral do Senado a abertura de uma sindicância para apurar se houve ou não participação de servidores da Casa e de senadores no episódio. "(Quero saber) se há pessoas do Senado envolvidas no caso e, em caso afirmativo, se a conduta tem alguma imputação penal", afirmou Vital.

O presidente da CPI, contudo, descartou a possibilidade, cobrada pela oposição, de anular os depoimentos da atual presidente da Petrobrás, Graça Foster, do ex-presidente da estatal José Sérgio Gabrielli e do ex-diretor da área internacional da companhia Nestor Cerveró. A suspeita, levantada no vídeo, é que o depoimento dos três teria sido combinado.

Vital do Rêgo disse que a oposição não pode fazer tal pedido, porque abandonou os trabalhos da CPI exclusiva do Senado em prol de atuar na CPI mista da Petrobrás. Para ele, os oposicionistas querem "politizar" o caso. "De início, falece à oposição o questionamento de uma CPI que ela boicotou o tempo inteiro", ponderou ele, que também preside a comissão mista.

O presidente da CPI destacou que jamais houve qualquer suspeita de fraude nos depoimentos. Ele, que já presidiu a CPI do Cachoeira, disse que "nunca soube" de combinação de versões, mas frisou que quer investigar o caso a fundo e que as apurações da comissão vão continuar normalmente.

Embora o prazo regimental para o funcionamento da CPI possa ir até meados de novembro, Vital do Rêgo adiantou que os trabalhos podem ser concluídos até o fim de setembro, portanto, às vésperas das eleições.

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