Presidente da CPI do Carf pedirá relatório paralelo sobre envolvidos na compra de MPs

No relatório preliminar apresentado nesta quinta, foi pedido o indiciamento de 28 pessoas, entre ex-conselheiros do órgão, representantes de empresas, servidores públicos, assessores e lobistas; documento, contudo, poupa políticos e a maioria dos envolvidos no caso da compra das MP

Igor Gadelha, O Estado de S.Paulo

26 Novembro 2015 | 12h16

Brasília - O presidente da CPI do Carf do Senado, Ataídes Oliveira (PSDB-TO), afirmou nesta quinta-feira, 26, ao Broadcast Político que vai pedir ao senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), suplente do colegiado, que apresente na próxima semana um relatório paralelo ao da senadora Vanessa Grazziotin (PC do B-AM), pedindo o indiciamento de pessoas envolvidas na compra de Medidas Provisórias (MPs) para beneficiar o setor automobilístico. 

No relatório preliminar apresentado nesta quinta, a relatora pediu o indiciamento de 28 pessoas, entre ex-conselheiros do órgão, representantes de empresas, servidores públicos, assessores e lobistas. No documento, contudo, ela poupou políticos e a maioria dos envolvidos no caso da compra das MPs, como o ex-ministro Gilberto Carvalho e o filho do ex-presidente Lula Luís Cláudio Lula da Silva. 

O único envolvido no caso indiciado foi o ex-vice-presidente tesoureiro da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) Mauro Marcondes. Ele foi indiciado por corrupção ativa e tráfico de influência, mas por ter atuado junto ao Carf como intermediário entre a MMC Automotores, fabricante da Mitsubishi no Brasil, e não pela questão das MPs.

Marcondes teve sua convocação barrada pela maioria dos integrantes da CPI, que também negaram requerimentos pedindo a convocação de Lula, do seu filho Luiz Cláudio e dos ex-ministros Gilberto Carvalho e Erenice Guerra. Todos são suspeitos de intermediar a compra de MPs. No relatório, a senadora justifica que todos foram rejeitados, pois a CPI considerou que os fatos "não dizem respeito ao objeto do colegiado". 

"A base da CPI é governista, só tem o presidente praticamente de oposição", afirmou Ataídes. Dos 11 membros titulares, apenas o presidente e o senador Davi Alcolumbre (DEM-AP) são oposição ao governo. De acordo com ele, isso favoreceu um acordo entre governistas para não incluir o assunto nas discussões da CPI. "Da minha parte, não teve acordo", rechaçou. (Igor Gadelha)

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