André Dusek|Estadão
André Dusek|Estadão

Presidente da CPI do BNDES nega pedido de dispensa de Bumlai e diz que depoimento está mantido

Defesa do pecuarista enviou ofício a Marcos Rotta afirmando que o empresário ficará em silêncio durante a oitiva e que ida a Brasília traria 'gastos desnecessários' aos cofres públicos

Igor Gadelha, O Estado de S.Paulo

27 Novembro 2015 | 16h28

BRASÍLIA - O presidente da CPI do BNDES na Câmara, Marcos Rotta (PMDB-AM), negou nesta sexta-feira, 27, pedido dos advogados do pecuarista José Carlos Bumlai para dispensar seu cliente do depoimento marcado para a próxima terça-feira, 1º de dezembro. A defesa do empresário enviou ofício hoje ao peemedebista afirmando que o empresário usará o direito constitucional de permanecer calado durante a oitiva e alegando que, por isso, sua ida a Brasília por conta da Câmara apenas trará gastos "desnecessários" aos cofres públicos, sem contribuir para os trabalhos da CPI. Ofício semelhante foi enviado ao juiz federal Sérgio Moro, que decretou a prisão dele. 

Bumlai foi preso preventivamente na última terça-feira, 24, na 21ª fase da Operação Lava Jato. Ele foi detido em um hotel em Brasília, horas antes do depoimento que prestaria à CPI do BNDES. Na ocasião, o juiz federal Sérgio Moro pediu desculpas ao presidente do colegiado pela coincidência e colocou o pecuarista à disposição da CPI para que fosse ouvido a partir da próxima semana. O depoimento, então, foi remarcado para terça-feira. Amigo do ex-presidente Lula, o pecuarista é acusado de intermediar empréstimo para o PT com o Banco Schahin e de contrair e não pagar empréstimos com o BNDES.

"Em que pede o adiamento da tomada de seu depoimento, o peticionário, entendendo que sua posição atual é efetivamente de investigado, já adianta que exercerá seu direito constitucional de permanecer calado diante das perguntas dos deputados, pois se reservará a prestar os esclarecimentos necessários em juízo", afirmam os advogados. Como mostrou o Broadcast Político mais cedo, o juiz Sérgio Moro intimou a Polícia Federal para que ouça Bumlai até a próxima segunda-feira, 30, "diante do desejo manifestado pelo investigado de que seja ele inquirido sobre o objeto da investigação".

"Diante do exposto e ressaltando que o peticionário exercerá seu direito constitucional de permanecer em silêncio, é a presente para requerer a dispensa de seu comparecimento perante à essa Comissão Parlamentar de Inquérito, especialmente para evitar custos e esforços desnecessários à administração pública", escreveu a defesa. O medo dos advogados é de que o pecuarista seja execrado pelos parlamentares do colegiado que, mesmo com o empresário em silêncio, deverão fazer perguntas e colocações com possíveis ofensas a José Carlos Bumlai. 

Ao Broadcast Político, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado, o presidente da CPI do BNDES afirmou nesta sexta-feira que respondeu aos advogados do pecuarista reconhecendo o direito do acusado de permanecer calado, mas negando a dispensa do empresário. De acordo com o peemedebista, o depoimento está mantido para esta terça-feira, às 14h30. "Informamos que manteremos a oitiva e que, se ele decidir pelo silêncio, é legalmente um direito que lhe assiste", afirmou Marcos Rotta à reportagem. 

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