Presidente da CPI diz que pedirá prorrogação

Marcelo Itagiba quer prazo para analisar papéis sobre Protógenes que chegaram à comissão

Luciana Nunes Leal, O Estadao de S.Paulo

08 de março de 2009 | 00h00

O presidente da CPI dos Grampos, deputado Marcelo Itagiba (PMDB-RJ), vai pedir a prorrogação dos trabalhos da comissão por 60 dias para que os parlamentares tenham tempo de analisar os documentos sobre o inquérito da Polícia Federal que investiga possíveis abusos do delegado Protógenes Queiroz na Operação Satiagraha. O material chegou à CPI na noite de quinta-feira, enviado pela Justiça Federal de São Paulo, e, segundo Itagiba, ficará lacrado até terça-feira, quando o deputado estará de volta a Brasília. Itagiba, que apresentará voto em separado ao relatório final da CPI sugerindo o indiciamento de Protógenes por falso testemunho, disse que ainda vai analisar o conteúdo dos documentos, mas comentou que o uso de métodos ilegais de investigação "comprova a falta de controle do setor de inteligência no País". "Comparo à situação da Colômbia", disse. O serviço secreto colombiano enfrenta uma grave crise desde o ano passado, por causa de suspeitas de que a organização teria feito escutas clandestinas em telefones de autoridades, de adversários do presidente Álvaro Uribe, de juízes e de jornalistas. Reportagem da revista Veja desta semana diz que o material recolhido pela PF no inquérito que investiga a atuação de Protógenes mostra que o delegado recorreu a métodos ilegais de investigação e que espionou até mesmo integrantes do governo Lula. "Vou abrir o material e começar a analisar a partir de terça-feira. A continuidade da CPI é fundamental", disse Itagiba. A prorrogação tem que ser aprovada pelo plenário. O pedido será encaminhado ao presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP). "O presidente pode prorrogar e depois o plenário confirma a decisão."Além de Protógenes, ele pedirá também o indiciamento do ex-diretor geral da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) Paulo Lacerda e do ex-diretor Milton Campana. Ele considera que os três mentiram à CPI ao minimizarem a participação de agentes da Abin na operação. "Eles falaram em ajudar informal, mas depois ficou claro que a participação dos agentes foi muito além disso", diz.

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