Presidente da CPI das obras inacabadas pode ter sigilo quebrado

A comissão de sindicância que apura a tentativa de extorsão de empreiteiros pode pedir a quebra de sigilo das ligações telefônicas realizadas nos últimos dois meses pelo presidente da CPI das Obras Inacabadas, Damião Feliciano (PMDB-PB), e de vários dos integrantes dela.A partir da relação dos telefonemas, a comissão tentará comprovar a denúncia de que Feliciano e outros representantes da CPI cobraram dinheiro de donos de construtoras para não incluir os nomes das empresas do relatório final da comissão parlamentar.Em meio à polêmica provocada pelas suspeitas de irregularidades, o relator da CPI, Anivaldo Valle (PSDB-PA), que também poderá ter o sigilo telefônico quebrado, reconheceu que terá dificuldades para concluir o relatório até o dia 9, quando termina o prazo de trabalho previsto pelo regimento. Mas ele ressaltou que, caso conclua o parecer, poderá recomendar ao Ministério Público (MP) a quebra do sigilo bancário de empreiteiras responsáveis por obras federais com indícios de fraude.Antes de pedir o acesso ao levantamento sobre as ligações telefônicas, os deputados que compõem a comissão de sindicância pretendem conseguir provas do envolvimento de parlamentares no esquema de propina."Poderemos identificar ligações para empreiteiros a partir da relação dos telefonemas feitos por deputados do celular, das linhas dos escritórios, residenciais e dos gabinetes na Câmara", disse o deputado Moroni Torgan (PFL-CE), membro da comissão de sindicância.O pedido terá de ser encaminhado à CPI das Obras Inacabadas ou à Mesa Diretora da Câmara, uma vez que apenas CPIs e o plenário da Casa têm poder de requerer a abertura de sigilo bancário, fiscal e telefônico.Hoje, foram ouvidos o presidente da CPI, o relator e o líder do PSDB na Câmara, Jutahy Magalhães Júnior (BA), que confirmou ter recebido a denúncia de um empresário sobre a tentativa de extorsão. Como havia anunciado, o líder tucano não quis revelar o nome do autor da acusação. "O relator confirmou que também recebeu a informação sobre a tentativa de extorsão", informou Torgan. O corregedor-geral da Câmara, Barbosa Neto (PMDB-GO), fez um apelo para que empresários que tenham recebido "qualquer oferta de parlamentar" telefonem ao disque-denúncia da Câmara (0800-619619) com o objetivo de darem nomes dos deputados ligados às irregularidades.

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