Agência Câmara - 19.04.2013
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Presidente da CPI da Petrobrás nega constrangimento em convocação de ministro e delegados

Ministros da Justiça, José Eduardo Cardozo, da Casa Civil, Aloizio Mercadante e da Secretaria de Comunicação, Edinho Silva, além de quatro delegados da Operação Lava Jato, foram chamados para prestar esclarecimento

Daiene Cardoso e Daniel Carvalho, O Estado de S. Paulo

09 de julho de 2015 | 14h45

BRASÍLIA - O presidente da CPI da Petrobrás, Hugo Motta (PMDB-PB), negou que a convocação do ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, e de quatro delegados envolvidos nas investigações da Operação Lava Jato represente um constrangimento para os convocados. "Constrangedor é o que o povo brasileiro está vivendo, em ligar a televisão e ver escândalo de corrupção de tamanha monta", respondeu.

Motta acredita que eles podem contribuir para os trabalhos da comissão, caso contrário não seriam chamados. Para o peemedebista, Cardozo tem preparo técnico suficiente para prestar esclarecimentos aos parlamentares. "Não vejo isso como um gesto político, vejo como um gesto da investigação propriamente dita que precisa esclarecer alguns fatos", disse.

Além de Cardozo, foram convocados os delegados Maurício Grillo, Daniele Rodrigues, Igor Romário de Paula e Márcio Anselmo. Os deputados querem saber detalhes da apuração sobre as escutas clandestinas encontradas na Superintendência da Polícia Federal em Curitiba: uma na cela do doleiro Alberto Youssef e outra no fumódromo.

O relator da CPI, Luiz Sérgio (PT-RJ), disse acreditar que Cardozo se sairá "muito bem" quando vier esclarecer supostas escutas instaladas na cela do doleiro sem autorização da Justiça. "Não estou aqui nem para proteger nem para perseguir. O ministro Cardozo é preparado e não tenho dúvida nenhuma de que ele vai se sair muito bem e esclarecer os pontos que hoje mais da metade dos membros da CPI estão questionando quanto à legalidade ou não da operação. Ele vai se sair muito bem, tanto que não me opus", afirmou.

O Broadcast Político apurou que diante da pressão da oposição para a convocação de ministros, Luiz Sérgio acabou aceitando o nome de Cardozo para poupar o ex-ministro José Dirceu e os ministros Aloizio Mercadante (Casa Civil) e Edinho Silva (Secretaria de Comunicação Social da Presidência). Hoje, o relator negou que a convocação de Cardozo com anuência do PT seja uma estratégia do partido para "fritá-lo" por não interferir nas investigações da PF e no vazamento de depoimentos nas operações Lava Jato e Acrônimo, que envolvem personalidades petistas.

Vice-presidente da CPI, Antônio Imbassahy (PSDB-BA) não concorda. "O que a gente vê é que tem insatisfações até tornadas públicas por líderes do PT com relação ao ministro da Justiça, que até recentemente disse que estava em situação de desconforto", disse o tucano.

Advogada. O pedido de convocação da advogada Beatriz Catta Preta, defensora de alguns dos investigados da Operação Lava Jato, entre eles Pedro Barusco, também entrou na lista e a aprovação do requerimento é visto como "retaliação" à atuação da advogada frente aos trabalhos da CPI.

Motta alegou que a convocação da advogada servirá para explicar a origem dos honorários recebidos pela defensora da maioria dos delatores da Operação Lava Jato. Ao negar retaliação à advogada, o presidente da comissão disse que é preciso deixar claro de onde vem o dinheiro pago a Catta Preta, já que seus clientes são pessoas que confessaram ter desviado dinheiro público e que teriam devolvido todos os recursos à Justiça. "Ela vem justamente para explicar de onde está recebendo seus honorários e como ela está fazendo para receber dessas pessoas que, perante à lei e à Justiça, devolveram tudo o que foi desviado", disse. O peemedebista destacou que outros advogados também podem ser chamados pela CPI e que Catta Preta foi chamada primeiro por concentrar o maior número de clientes que são delatores.

Já Imbassahy não esconde a insatisfação com a atuação da defensora. "A advogada Catta Preta tem uma desenvoltura muito grande e, de uma forma ou de outra, o trabalho da CPI às vezes não evolui por conta de ações profissionais dela. É preciso que se faça alguns esclarecimentos", justificou.

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