PAULO LIEBERT/AE
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Presidente da CPI da Petrobrás mantém convocação de Catta Preta

Hugo Motta não cedeu à pressão da OAB, contrária à oitiva da advogada, que deve ir à comissão para explicar a origem de seus honorários referentes à defesa de réus da Lava Jato; segundo o deputado, depoimento será marcado no 'momento certo'

DAIENE CARDOSO E DANIEL CARVALHO, O Estado de S. Paulo

28 de julho de 2015 | 13h45

BRASÍLIA - Apesar da pressão da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), o presidente da CPI da Petrobrás, deputado Hugo Motta (PMDB-PB), avisou que a convocação da advogada Beatriz Catta Preta está mantida e que seu depoimento será marcado "no momento certo". O cronograma das oitivas de agosto será definido na próxima semana, quando termina o recesso parlamentar.

Depois de condenar publicamente a convocação da defensora, que esteve à frente dos acordos de delação premiada dos principais personagens da Operação Lava Jato, a OAB sugeriu que o juiz Sérgio Moro vete a oitiva. O objetivo da convocação é que ela esclareça a origem de seus honorários. Na semana passada, a criminalista Beatriz Catta Preta renunciou à defesa do lobista Julio Camargo, de Pedro Barusco, ex-gerente de Engenharia da Petrobrás, e do lobista Augusto Ribeiro de Mendonça. 

"O nosso trabalho na CPI é um trabalho que diz respeito ao Congresso, à Câmara. A nós, cabe seguir o que o plenário decidiu, e o plenário decidiu convocar a Catta Preta para ela trazer de onde ela está recebendo seus honorários", reforçou o peemedebista. Motta argumentou que Europa e Estados Unidos já têm uma lei sobre lavagem de dinheiro, pela qual recurso proveniente de origem ilícita é considerado ilícito para tudo. Ele defendeu que a CPI recupere os recursos desviados da Petrobrás e que o Brasil siga o mesmo modelo dos demais países. "O Brasil precisa começar a adotar essa situação. Porque senão daqui a uns dias o cara vai roubar R$ 100 milhões e deixar R$ 10 milhões para pagar advogado", declarou.

Motta ressaltou que independentemente do paradeiro da advogada, a CPI vai utilizar "todos os instrumentos para encontrá-la", mas evitou falar em "condução coercitiva". O peemedebista disse acreditar que a comissão conseguirá notificá-la sobre a data do depoimento sem maiores problemas.

O presidente da CPI desconversou sobre as críticas da OAB e o posicionamento do juiz Sérgio Moro, que disse recentemente não ver motivos para a comissão parlamentar pedir informações sobre os honorários da advogada. "É da democracia ouvir críticas. Isso faz parte da nossa vida já, não acho interferência nenhuma", respondeu.

Barusco. Motta pediu uma reunião para esta semana com o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Ricardo Lewandowski. Seu objetivo é tentar derrubar a liminar que o ex-gerente de Serviços da Petrobrás, Pedro Barusco, conseguiu para não participar de acareações na comissão.

O presidente da CPI ficou transtornado ao ver fotografia publicada na edição desta semana da revista Veja em que Barusco aparece em Angra dos Reis (RJ). De acordo com a publicação, o ex-gerente da Petrobrás fumava charuto e tomava cerveja no último dia 19, dias depois de se dizer impedido de participar das acareações na CPI.

No início deste mês, o ministro Celso de Mello concedeu liminar para dispensar Barusco de participar dos depoimentos com o ex-diretor de Serviços, Renato Duque, e com o ex-tesoureiro do PT, João Vaccari. A defesa do ex-gerente da Petrobrás, à época liderada por Catta Pretta, alegou ao STF que ele estava em tratamento de câncer ósseo, que tinha dificuldades de locomoção e permanência por longo tempo na sessão da CPI.


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