Presidente da CNI diz ter esperança em Lula

O presidente da Confederação Nacional da Indústria, Armando Monteiro Neto, considera que os fundamentos da política macroeconômica do governo Lula foram estabelecidos de forma a não causar uma ruptura que poderia ser trágica para o País. Entrevistado ontem à noite no programa ?Roda Viva?, da TV Cultura, ele acentuou, contudo, que este processo não tem sido ?indolor? para o setor industrial, que tem sofrido um impacto muito forte ?dessa política monetária?. Para ele, isso se traduziu numa diminuição da atividade econômica, no agravamento das condições de liquidez das empresas e no maior desemprego.Importância das reformasDeputado eleito pelo PTB, partido que integra a base governista, o presidente da CNI acrescentou que, apesar do quadro difícil e dos imensos desafios que o País tem pela frente, "há de se ter esperança". Mas, para tanto, é preciso que sejam aprovadas as reformas previdenciária e tributária, bem como a reforma trabalhista, que considera indispensável para a redução do desemprego e a inibição da informalidade entre os brasileiros.O País amadureceuPara Armando Monteiro Neto, a vitória do candidato petista nas últimas eleições é conseqüência do amadurecimento da sociedade brasileira. "As agendas dos governos são agendas de um tempo social. Eu diria que as sociedades é que devem indicar os rumos, elas é que tutelam os governos, e não o contrário." Segundo o parlamentar pernambucano, o PT e o presidente Lula tiveram a percepção de que o ambiente (para as mudanças radicais) mudou e que a ordem internacional é diferente. Lembrou, neste sentido, o fracasso das experiências traumáticas de radicalização experimentadas em passado recente por países latino-americanos.Agenda do bom sensoO presidente da CNI classificou o governo Lula como seguidor de uma ?agenda do bom senso, cujo pilar é a racionalidade?. ?Não havia um outro caminho, mas há muito o que fazer na construção dessas condições para a retomada do crescimento.? E assegurou que a entidade a que preside está disposta a contribuir neste processo, ?vocalizando as suas posições, indo para o debate público, lembrando o risco do aumento da carga tributária, falando que o crédito no Brasil precisa ser reorientado amplamente, que no sistema financeiro é preciso estabelecer condições concorrenciais para que ele seja parceiro da produção, é preciso investir em infraestrutura, onde há desafios imensos.? E arrematou: ?Mas há (por parte do setor industrial) uma posição de confiança no País. O empresário é um profissional da esperança, como de resto são os brasileiros.?Apontando os errosArmando Monteiro Neto disse, porém, que nem tudo está certo na atuação do atual governo. ?Acho que o remédio da política monetária foi muito duro, mas está dentro dessa lógica para se conquistar a credibilidade. Acho que há sinais invertidos que o governo está dando nesta questão regulatória, no respeito aos contratos no caso dos telefones, e outros sinais como na questão do campo, do MST. Em suma, há muito o que se fazer, mas o Brasil amadureceu, há uma agenda que é convergente, que é uma agenda que é mais do que do governo, mas da sociedade brasileira.?

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