Presidente da CNBB defende punição a torturadores

Defesa foi feita durante audiência para julgar processos de indenização a religiosos que sofreram tortura

CHRISTIANE SAMARCO, Agencia Estado

26 de setembro de 2008 | 14h19

O presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), d. Geraldo Lyrio Neto defendeu nesta sexta-feira, 26, não só a abertura total dos arquivos da ditadura como a punição aos torturadores. "Perdão não é sinônimo de impunidade. Temos que perdoar porque sem perdão não há reconciliação e sem reconciliação não há paz. Mas impunidade não. É preciso que os culpados sejam conhecidos, dentro do possível e do que é justo e legal", afirmou o bispo, durante audiência da Comissão de Anistia do Ministério da Justiça, que foi à CNBB, em Brasília, para julgar os processos de indenização a religiosos que sofreram perseguição e tortura durante o regime militar. A lista inclui, além de padres, pastores, arcebispos e o ex-deputado federal e primeiro ministro da Secretaria Especial de Direitos Humanos no governo Luiz Inácio Lula da Silva, Nilmário Miranda. "Nunca, nem de longe podemos acobertar o crime", defendeu o presidente da CNBB. Na avaliação de d. Geraldo, o julgamento desses processos é o pedido de perdão do Estado a essas pessoas que foram presas e torturadas. No entanto, ele afirmou que a reconciliação autêntica pressupõe que todos os fatos venham à tona, inclusive o que aconteceu nos "bastidores cruéis da tortura". Para o presidente da CNBB, esses casos precisam ser recordados para que não se apaguem da memória.

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