Presidente da CNBB considera caso Waldomiro gravíssimo

O presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), d. Geraldo Majella, classificou hoje de "gravíssimo" o caso Waldomiro Diniz e defendeu a investigação com a devida punição dos culpados. Ele preferiu não opinar sobre a necessidade de uma CPI no Congresso nem sobre o eventual afastamento do ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu. Lembrou, no entanto, que o ex-ministro da Casa Civil no governo Itamar Franco, Henrique Hargreaves, afastou-se do cargo ao ser investigado por uma CPI e depois reassumiu a função."Ficamos sempre imaginando o que pode ainda acontecer e, sobretudo, as conseqüências de cada ato desses de corrupção", disse o cardeal, ao fim de reunião do Conselho Episcopal Pastoral. Indagado se considerava o episódio ainda mais grave por ocorrer num governo do PT, partido historicamente identificado com a honestidade e a ética, d. Geraldo respondeu: "Em qualquer governo é gravíssimo."O vice-presidente da CNBB, d. Antonio Celso de Queirós, também evitou opinar sobre a criação de uma CPI e o afastamento de Dirceu, mas disse que a trajetória do ministro inspira confiança. Ele ponderou que todo chefe corre o risco de ter subordinados que cometam irregularidades, além de lembrar que escândalos ocorrem no Judiciário, no Legislativo e no meio empresarial."Em qualquer nível, uma autoridade está sujeita a ser surpreendida por um ato ilegal de um subalterno seu. Ela será culpada a partir do momento em que, tendo constatado a ilegalidade, não faz nada", afirmou.D. Majella e d. Antonio mostraram-se preocupados com o ritmo do governo e o futuro do País. D. Antonio criticou ainda o fato de bancos privados terem obtido lucro recorde no ano passado. "Como é que num país em que o povo é tão pobre os bancos lucram tanto?", perguntou.

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