Presidente da CEF admite não ter gravado reuniões da GTech

Terminou a audiência pública de mais de cinco horas promovida pela Comissão de Fiscalização e Controle do Senado, em que foi ouvido o presidente da Caixa Econômica Federal (CEF), Jorge Mattoso, sobre o contrato da instituição que preside com a GTech para prestação de serviços lotéricos. Mesmo dominada pelos governistas, que prepararam uma longa lista de perguntas para evitar a inquisição de Mattoso pela oposição, o líder do PSDB, Arthur Virgílio (AM), conseguiu que o presidente da Caixa admitisse que não existem atas das reuniões que precederam a renovação do contrato com a GTech, nem tampouco gravações, o que era uma prática na antiga diretoria da Caixa. "Hoje, olhando para o passado, eu vejo que foi um erro", admitiu Mattoso, dizendo que, hoje, passaria a gravar as reuniões. O presidente da CEF admitiu, também, que não existe voto da diretoria para aditamento do contrato. Ele disse que o voto não era necessário porque se tratava da renovação, e não da assinatura de um contrato novo. Mattoso ignorou, também, pedido feito por Virgílio para que admitisse quebrar seu sigilo telefônico. Apesar de o governo comemorar o bom desempenho de Mattoso na comissão, Virgílio disse que não ficou satisfeito com o depoimento. "Ou a gente vai fundo e investiga tudo, através de uma CPI, ou finge que acredita nisso", afirmou o líder do PSDB. Ele informou que a deputada Zulaiê Cobra (PSDB-SP) vai ainda hoje à tribuna da Câmara para explicar as acusações que o PT está fazendo em relação a seu envolvimento no contrato Caixa - GTech. "O PT está iniciando a operação gambá: espalha mau cheiro para ver se se salva", disse Virgílio sobre a estratégia usada pelo PT durante o depoimento de Mattoso. Ele disse, ainda, que o ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, "pirou na batata". "Ele fica com raiva de quem cumpre o dever", disse Virgílio. Em referência ao episódio Waldomiro Diniz, Virgílio observou que Dirceu "não serve nem para ser motorista dos seus filhos", uma vez que não sabe e scolher pessoas de bem que o assessorem.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.