Presidente da Câmara prega aumento maior para aposentado

Planalto luta contra ideia de petista por temer elevação de gastos públicos em meio à crise econômica internacional

Lucas de Abreu Maia, de O Estado de S.Paulo

28 de novembro de 2011 | 17h41

O presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS), afirmou ontem que os deputados poderão aprovar um reajuste acima de 7% para os aposentados já em 2012. O Planalto luta contra a iniciativa, por temer que o aumento eleve os gastos públicos em um ano em que a crise econômica internacional ainda deve ser uma preocupação para o governo.

 

"Há um empenho de um setor importante da Câmara dos Deputados no sentido de viabilizar um reajuste maior aos aposentados", afirmou Maia, em debate no Grupo de Líderes Empresariais (Lide), em São Paulo. "Eu sou defensor de que nós possamos encontrar um mecanismo da recuperação do poder de compra dos aposentados, o que significa conceder reajustes superiores à inflação para aqueles aposentados que recebem mais de um salário mínimo."

 

Segundo o petista, o processo deve ser feito "de forma responsável". Para vigorar em janeiro, o Orçamento precisa ser aprovado até 22 de dezembro. "É óbvio que daqui até o dia 22 nós teremos ainda um longo caminho de definição dos parâmetros que entrarão no Orçamento de 2012", afirmou. "O tema vai se inserir neste debate. Nós vamos fazer isso tudo de forma responsável, identificando receita e, ao mesmo tempo, as despesas que são prioritárias. Obviamente que, quando você fala em dar um reajuste maior aos aposentados, você tem que tirar esse dinheiro de algum lugar."

 

Questionado se projetos como o reajuste dos aposentados, a Emenda 29 e o Código Florestal não eram temas que desagradariam ao governo, Maia defendeu a autonomia do Legislativo. "Nós vamos continuar tratando o Parlamento com muita autonomia, respeitando as vontades e os interesses que são colocados pelo Executivo dentro do Parlamento, como também pelo Judiciário. Agora, nós não somos obrigados nem a votar favorável nem somos obrigados a fazer tudo aquilo que o governo e o Judiciário gostariam."

 

Bolsonaro. O presidente da Câmara também disse que a representação protocolada pelo PT contra o deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ) deve resultar em processo por quebra de decoro. Na quinta-feira, Bolsonaro fez insinuações acerca da orientação sexual da presidente Dilma Rousseff ao dizer que "seu negócio" é "amor com homossexuais".

 

"Se for encaminhada para mim, eu encaminharei imediatamente para que a corregedoria faça a análise do que foi dito pelo deputado Bolsonaro", disse. Para Maia, a Câmara deveria discutir os limites da imunidade parlamentar, que dá aos congressistas o direito de se manifestarem sobre qualquer tema político.

 

 

Tudo o que sabemos sobre:
Marco MaiaSPaposentadosreajuste

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.