Presidente da Câmara diz que não é vitorioso nem derrotado em 'emenda anti-Cunha' de repatriação

Texto que proíbe políticos, funcionários públicos e seus parentes de até segundo grau de se beneficiarem pelo projeto foi aprovado ontem pela Casa; o parlamentar é investigado na Operação Lava Jato por suspeita de movimentar dinheiro de propina no exterior

Igor Gadelha e Daiene Cardoso, O Estado de S.Paulo

12 Novembro 2015 | 12h37

BRASÍLIA - O presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), afirmou nesta quinta-feira,11, que o governo teve ontem uma vitória importante com a aprovação do projeto de lei da repatriação. Em entrevista coletiva, o peemedebista afirmou não ter se sentido vitorioso, nem derrotado, com a emenda do PSDB aprovada que proíbe que políticos e detentores de cargos públicos, seus cônjuges e parentes de até segundo grau, inclusive adotados, sejam beneficiados pelo projeto de repatriação.

"O governo teve uma vitória, apertada, mas teve uma vitória importante, porque, de certa forma, é uma matéria que veio do governo com urgência constitucional, ou seja, era um projeto do Executivo que, se o governo não vencesse, a sinalização que ia passar era dificuldade cada vez maior com o ajuste fiscal", afirmou o presidente da Câmara. O texto-base do projeto da repatriação foi aprovado pelo plenário da Casa, no fim da noite de ontem, por 230 votos favoráveis e 213 contrários. Houve ainda sete abstenções. 

Questionado pelo Broadcast Político, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado, se sentiu-se derrotado com a emenda do PSDB, chamada de emenda  anti-Cunha, o peemdebista disse que não se sente "vitorioso ou derrotado em nenhuma parte desse processo". "Não sou parte do processo, sequer me meti no texto. Apenas conduzi a votação", disse. Ontem, parlamentares da oposição acusavam Cunha de ser parte interessada, por ser acusado de ter contas secretas na Suíça, por meio das quais teria recebido propina de contratos da Petrobrás.

O presidente da Câmara avaliou ainda que, mesmo que o Senado altere o destino da multa incidente sobre os valores repatriados, para que seja destinada a fundos regionais que permitirão a reforma do ICMS, a Câmara deverá manter sua posição aprovada ontem de destinar o dinheiro para Estados e municípios, por meio dos fundos constitucionais (FPE e FPM, respectivamente). "Se Senado mudar, dificilmente será mantido na Câmara, que é quem dá a palavra final", afirmou.

Levy. O presidente da Câmara evitou comentar nesta quinta as especulações sobre a possível saída do ministro da Fazenda, Joaquim Levy, do cargo. Nos bastidores, especula-se que Levy será substituído pelo economista Henrique Meirelles, ex-presidente do Banco Central do governo Lula. 

"Não quero comentar. Seria deselegante. Nomear e retirar ministro faz parte alçada do Poder Executivo", afirmou Cunha em entrevista coletiva. O peemedebista disse, porém, que, se eventualmente a saída de Levy se confirmar, "eu comento". "Mas assim por especulação, não vou comentar", reafirmou.

Brinde. Em evento de criação da Frente Parlamentar de Defesa e Valorização da Produção Nacional de Uvas, Vinhos, Espumantes e Derivados nesta quinta, Cunha apenas brindou com o espumante oferecido pela organização, mas não bebeu. "Não ia dar esse gostinho para vocês", disse o peemedebista a jornalistas, ao ser questionado por que não tomou a bebida.

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