Presidente da Câmara depõe na PF sobre caso BNDES

O presidente da Câmara de São Paulo, Antonio Carlos Rodrigues (PR), foi ontem à Polícia Federal para dar explicações sobre informações publicadas pelo jornal "O Estado de S. Paulo", na segunda-feira, de sua suposta participação no esquema de tráfico de influência e corrupção que manteve aberto o prostíbulo W.E. - base da quadrilha acusada de desviar dinheiro do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), explorar prostituição e traficar mulheres para a Europa.Carlinhos repetiu a mesma versão dada ao jornal: confirmou que recebeu o lobista da organização, o coronel reformado da Polícia Militar Wilson de Barros Consani Junior, mas cortou o contato assim que descobriu que o flat e o bar da Rua Peixoto Gomide eram, na verdade, um dos mais exclusivos endereços da prostituição em São Paulo. Ali, um programa com uma garota podia custar até R$ 10 mil.Segundo a PF, Carlinhos foi intimado para depôr na segunda-feira pelo delegado Rodrigo Levin, responsável pela Operação Santa Tereza, deflagrada em 24 de abril. "Fui eu quem procurou a PF e o Ministério Público", afirmou o vereador. Nervoso, Carlinhos disse querer esclarecer "o quanto antes tudo isso, para processar vocês". Ao ser questionado sobre o teor de seu depoimento, o vereador foi seco: "Não lhe devo satisfação."Escutas da PF flagraram o presidente da Câmara atendendo Consani em 1º de abril. Nos dias seguintes, Fabiano Alonso, genro e homem de confiança de Carlinhos, manteve cinco contatos com Consani, nos quais assegura que o sogro vai ajudar a manter o prostíbulo aberto. Diz que Carlinhos vai tratar do assunto com o prefeito Gilberto Kassab (DEM) - o vereador e Kassab, porém, negam que isso tenha ocorrido. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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