Presidente da Câmara de Porto Seguro também fala em pegar armas para defender Dilma

Élio Brasil replicou o discurso feito pelo presidente da CUT, Vagner Freitas, durante um protesto realizado na semana passada

Heliana Frazão, especial para O Estado de S. Paulo

24 de agosto de 2015 | 16h50

A declaração do presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT),Vagner Freitas, de que os defensores da presidente Dilma Rousseff sairiam as ruas, entrincheirados, de arma nas mãos, para defender  o mandato da petista, parece ter inspirado o presidente da Câmara de Vereadores de Porto Seguro, no sul da Bahia, Élio Brasil, do PT. Na semana passada, ele replicou, por meio do Whatsapp (aplicativo do celular), mensagens contendo texto similar, para seus seguidores.

As mensagens foram postadas após as manifestações ocorridas na cidade contra o impeachment de Dilma, organizadas por entidades da base do governo, em todo o país,  na quinta-feira, 20.

 "Se for preciso, pegaremos em armas para defender a democracia e o governo eleito democraticamente pelo povo", dizia um dos textos enviados pelo chefe do legislativo de Porto Seguro.

Pouco depois, em outra mensagem, Brasil voltou a afirmar que pegaria em armas e lembrou que na época da ditadura líderes que hoje fazem oposição ao governo, como o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e o senador José Serra, ambos do PSDB, foram exilados.

Élio é também dirigente do sindicato que representa funcionários de hotéis e restaurantes da região e filiado à CUT.

Tal e qual o dirigente nacional da entidade, o vereador se justificou afirmando que usou o termo "pegar em armas" no sentido figurado, e justificou o discurso em tom mais áspero à pratica nos movimentos sociais e sindical, dos quais é originário.    

 . "Quando falamos em armas não nos referimos a fuzis e outros equipamentos bélicos similares, mas às armas de sempre dispuseram os movimentos sociais, como mobilizações, conscientização da população, greve e outras ações do tipo. Faremos tudo que estiver ao nosso alcance para garantir o mandato legítimo da presidente Dilma, com cerca de 54 milhões de votos", voltou a frisar. 

 Élio Brasil disse também que em razão da vida parlamentar ativa, sequer tomou conhecimento das palavras proferidas por Vágner Freitas e que tudo não passou de coincidência. "Somente após o meu discurso é que fiquei sabendo da declaração do presidente da CUT", comentou. 

 

O presidente da CUT se posicionou favorável ao uso de armas e trincheiras nas ruas ao discursar, durante evento com movimentos sociais no Palácio do Planalto, na quinta-feira, 13. Mandando "um recado aos golpistas", Freitas disse que, se os adversários da presidenta Dilma Rousseff insistirem na tese do impeachment, um "exército" armado irá às ruas para defendê-la. 

Logo depois, o dirigente desconversou afirmando que usou uma "figura de linguagem" e não pretendeu incitar a violência.

 

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