Presidente da Câmara acha 'difícil' votar cassação de Vargas antes das eleições

Falta de quórum no Congresso, esvaziado em razão das campanhas eleitorais, deve adiar decisão sobre perda de mandato de deputado

Daiene Cardoso, Agência Estado

07 de agosto de 2014 | 15h28

Brasília - O presidente da Câmara dos Deputados, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), considera difícil votar no plenário da Casa o pedido de cassação do deputado André Vargas (sem partido-PR) antes das eleições. O relatório recomendando a perda do mandato foi apresentado ontem no Conselho de Ética, mas ainda precisa ser aprovado pela maioria do colegiado.

Em virtude das campanhas eleitorais e do plenário esvaziado neste período, Alves não descarta a possibilidade de cancelar o "esforço concentrado" marcado para a primeira semana de setembro. Assim, Vargas deve ganhar mais tempo para evitar que o processo por quebra de decoro parlamentar siga adiante nas próximas semanas. "Não acredito que terá quórum necessário para votar (a cassação) em setembro", disse Alves ao Broadcast Político.

O peemedebista também acha difícil prever se o deputado conseguirá concluir seu mandato. "Não saberia dizer. Mas cumprirei meu dever", afirmou Alves, sinalizando que vai levar o assunto ao plenário da Casa assim que o relatório do deputado Júlio Delgado (PSB-MG) passar pelo Conselho.

A defesa de Vargas avalia recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF) das decisões tomadas pelo colegiado. O ex-petista é acusado de envolvimento com o doleiro Alberto Youssef, preso na Operação Lava Jato da Polícia Federal. O caso veio à tona após a descoberta de que Vargas utilizou avião emprestado pelo doleiro para viajar com a família.

"(Politicamente) estou pagando muito caro, muito caro. Estou pagando o preço de cabeça erguida e entendo que não há quebra de decoro nem mesmo crime, não há ilegalidade. De tudo o que aconteceu até agora o que resta é o voo", desabafou o ex-petista em entrevista ao Broadcast Político na semana passada.

Fora do PT, Vargas não pode se candidatar à reeleição. "Quero terminar meu mandato com serenidade", declarou Vargas na ocasião.

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