Dida Sampaio|Estadão
Dida Sampaio|Estadão

Presidente da Caixa diz que só assumirá ministério 'se for inevitável'

Gilberto Occhi diz, em entrevista, que 'se perguntarem' se ele prefere ministério, ele dirá que prefere continuar na Caixa

Entrevista com

Presidente da Caixa, Gilberto Occhi

Adriana Fernandes, Igor Gadelha e Irany Tereza, O Estado de S.Paulo

16 Novembro 2017 | 17h42

BRASÍLIA - O presidente da Caixa, Gilberto Occhi, afirmou nesta quinta-feira, 16, em entrevista ao Estado/Broadcast, que só assumirá o comando do Ministério das Cidades se for "inevitável". O executivo disse que prefere continuar no banco público, do qual é empregado há 37 anos, do que assumir novamente como ministro, cargo que ocupou entre março de 2014 e abril de 2016, durante o governo da ex-presidente Dilma Rousseff (PT).

+++ PMDB, PSD e DEM entram na disputa por Ministério das Cidades

Occhi admitiu que está no comando da Caixa por indicação do Partido Progressista, o PP, e que seu nome é lembrado para Cidades porque não será candidato a nada em 2018 e porque o partido confia nele. "Se me perguntarem assim: prefere ficar na Caixa ou prefere ir a um ministério, qualquer um que seja, digo 'Prefiro ficar na Caixa e concluir esse trabalho. 'Mas, se for inevitável...", disse.

+++ Presidente pretende agora 'fatiar' reforma ministerial

O cargo de ministro das Cidades ficou vago nessa segunda-feira, 13, após o então titular da Pasta, o deputado Bruno Araújo (PSDB-PE), pedir demissão. Ao deixar o cargo, o tucano alegou não possui mais apoio interno no PSDB para permanecer no cargo. Desde então, o cargo é cobiçado não só pelo PP, mas pelo PMDB e DEM, em razão da capilaridade política do ministério.

+++Em Itu, Temer diz que Brasil 'tem tendência a caminhar para o autoritarismo'

Veja trecho da entrevista:

Estado/Broadcast: A Caixa já teve grandes problemas por interferência política. 

Gilberto Occhi: Não concordo. Entenda um pouco a governança da Caixa: tem um conselho diretor formado por um presidente de dez vice-presidentes; dois vice-presidentes não fazem parte do conselho porque são de áreas segregadas da empresa, a de Fundos e a de Ativos de Terceiros; são pessoas totalmente diferentes umas das outras. Toda e qualquer operação que tenha sido proposta, por mim, pelos presidentes anteriores, vice-presidentes, funcionários da Caixa, de fora da Caixa, tivemos aqui o ex-ministro Geddel (Vieira Lima), o ministro Moreira (Franco), o Fábio Cleto, várias pessoas de fora da Caixa já estiveram aqui na gestão. Mas nenhum deles consegue aprovar uma proposta sem um parecer jurídico, da área de risco favorável, um parecer financeiro favorável, Citando só três, porque muitas vezes são necessários cinco, seis, sete pareceres de áreas diferentes. Ninguém consegue aprovar ou negar uma operação sem embasamento técnico e jurídico, independentemente de qualquer coisa. Então o que estamos falando aqui não é de interferência política, é o uso pessoal de informações para serem vendidas fora da Caixa. Informações que podem dizer "Olha, a operação vai ser aprovada"...

+++Temer liga troca ministerial à Previdência

Estado/Broadcast: Algumas dessas interferências sob investigação da Operação Lava Jato. 

Occhi: Isso. Mas, volto a dizer: as operações de crédito da Caixa hoje são as de menor inadimplência. Muita gente falou de uma série de operações de crédito que foram feitas na Caixa e hoje elas estão em dia, estão sendo liquidadas. Aquilo que não deu certo na Caixa não deu certo no mercado. Oi, por exemplo. Foi só a Caixa? Não todos os bancos entraram. Foi ruim para todo mundo. A Caixa é o banco de menor exposição nessas operações.

Estado/Broadcast: O sr. Pode ir para o Ministério das Cidades? 

Occhi: Primeiro quero dizer que nunca conversei isso com o PP, que me indicou para cá. Já fui ministro de Cidades em 2014, que haveria necessidade de desincompatibilização das pessoas, estava lá o ministro Aguinaldo Ribeiro. Fui fazer um tampão nesse período. O ministério das Cidades tem uma relação intrínseca com a Caixa e eu era vice-presidente de governo aqui. Depois, passei pela Integração, voltei pra Caixa porque sou empregado da Caixa há 37 anos. Surgir um nome assim pode ser por uma série de motivos: primeiro, não sou candidato a nada, portanto livre para ocupar qualquer espaço; segundo porque o partido tem no meu nome um nome que pode contar para várias oportunidades. Mas, temos um trabalho para fazer aqui. Se me perguntarem assim: prefere ficar na Caixa ou prefere ir a um ministério, qualquer um que seja, digo "Prefiro ficar na Caixa e concluir esse trabalho." Mas, se for inevitável... 

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.