Presidente da AMB visita Coaf e volta a criticar CNJ

O presidente da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), Nelson Calandra, visitou hoje o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) e criticou novamente as investigações conduzidas pela Corregedoria Nacional de Justiça, órgão do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). O presidente do Coaf, Antonio Gustavo Rodrigues, chamou de "cruzamento burro" o material encaminhado à corregedora Eliana Calmon por não ter profundidade na análise de possíveis irregularidades. Ressaltou, porém, que já houve pedido de investigação contra pessoas abrangidas no relatório.

EDUARDO BRESCIANI, Agência Estado

18 de janeiro de 2012 | 20h06

A ação de Calandra é na tentativa de mostrar suposto abuso da corregedoria. Ele destacou que foram solicitadas ao Coaf informações sobre 216,8 mil pessoas. Ressaltou-se que só foi encontrada alguma movimentação atípica de 369 delas nos últimos dez anos. "É preciso afastar essa ideia de que é preciso investigar toda a magistratura, que isso está permeado de pessoas desonestas", disse o presidente da AMB. "Não queremos proibir o conselho de investigar coisa nenhuma, queremos que o País funcione de acordo com a Constituição", completou.

O presidente do Coaf destacou que mesmo no caso das pessoas com movimentação atípica não é possível afirmar a existência de irregularidade. Rodrigues destacou que o relatório enviado ao CNJ é "genérico". "É um cruzamento burro no sentido que ele pega os CPFs e vê o que tem na base de dados. A única conclusão que se pode tirar é que existem comunicações de movimentações atípicas".

Rodrigues observou que o Coaf recebe milhares de comunicações por dia e que é feito posteriormente uma análise para verificar o que merece uma investigação da Polícia Federal e do Ministério Público. São nestes relatórios de inteligência financeira que constam a identificação das pessoas. Apesar de alguns dos requeridos pelo CNJ terem sido alvo deste tipo de relatório mais contundente esse material não chegou às mãos da corregedora.

Segundo a AMB, isso só foi barrado devido a uma decisão liminar do ministro Ricardo Lewandovski. Na medida suspensa pelo ministro a corregedora Eliana Calmon solicitava ao Coaf justamente uma análise pormenorizada sobre os integrantes do Judiciário e seus familiares que tiveram movimentação atípica. Na visão da AMB, essa análise seria justamente os relatórios de inteligência enviados à Polícia Federal e ao Ministério Público. O presidente do Coaf destacou que essa demanda não chegou ao órgão.

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