Epitácio Pessoa/Estadão
Epitácio Pessoa/Estadão

Presidente da Alstom nega envolvimento da empresa em cartel de trens em SP

Em depoimento à CPI dos Transportes, Marcos da Costa afirmou não ver indícios de negociação de contratos em licitações do setor metroferroviário do governo paulista

Atualizado às 13h46, Ricardo Chapola, de O Estado de S. Paulo

28 de novembro de 2013 | 12h11

O presidente da Alstom Marcos Costa negou nesta quinta-feira, 28, que a multinacional francesa participou de cartel em licitações do setor metroferroviário de São Paulo e afirmou que a empresa não pagou propina a políticos. "A Alstom não participa de cartel e não vê indícios de formação de cartel", afirmou o presidente da Alstom durante seu depoimento à CPI dos Transportes instaurada na Câmara Municipal da capital paulista.

Em maio, a empresa Siemens assinou acordo de leniência com o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) em que admitia formação cartel do qual a Alstom também faria parte.

O Estado revelou em outubro um e-mail enviado pelo ex-presidente da Alstom, engenheiro José Luiz Alquéres, no qual "recomenda enfaticamente" a diretores da empresa que utilizem os serviços do consultor Arthur Teixeira, apontado pelo Ministério Público como lobista e pagador de propinas a servidores públicos de estatais do setor metroferroviário, entre 1998 e 2003. Na correspondência, Alquéres,que não está mais no comando da Alstom, destacou o "bom relacionamento com governantes paulistas". Em seu depoimento à CPI, contudo, Costa afirmou que atualmente Alquéres é membro do Conselho Estratégico da Alstom.

"Todos os nossos contratos de consultoria são absolutamente legais e foram pagos pelos serviços prestados por essas empresas. Contratamos consultorias reconhecidas. A Alstom não paga propina. A Alstom não contrata lobista, afirmou o atual presidente da multinacional francesa.

Costa foi intimidado a depor na CPI outras duas vezes. Na primeira, o executivo conseguiu uma liminar na Justiça que o desobrigava a prestar esclarecimentos aos vereadores da comissão. Em novembro, o Tribunal de Justiça de São Paulo derrubou a ação depois de acolher um recurso feito pelo presidente da CPI, vereador Paulo Fiorilo (PT). Depois disso, a comissão voltou a convocar Costa a depor. O presidente da Alstom compareceu à Câmara, mas alegou mal-estar e deixou a Casa e não participou da sessão.

A CPI dos Transportes foi instalada em julho, motivada pelos protestos ocorridos na cidade pela redução das tarifas do transporte público, e depois passou a investigar também as denúncias de cartel.

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