Presidente critica 'intolerância e preconceito' na internet

Ao lançar campanhacontra abusos nas redes sociais, Dilma pede mais responsabilidade nos debates virtuais

LISANDRA PARAGUASSU , RAFAEL MORAES MOURA , BRASÍLIA , O Estado de S.Paulo

08 Abril 2015 | 02h01

A presidente Dilma Rousseff lançou ontem uma campanha federal contra crimes na internet e aproveitou a cerimônia, realizada em Brasília, para dizer que as rede sociais, apesar de terem ampliado o acesso dos cidadãos à informação e à liberdade de expressão, têm sido usada para espalhar ofensas e preconceitos. "As redes sociais têm sido palco de manifestações de caráter ofensivo, preconceituoso, discriminatório, de grave intolerância. Escondidas no anonimato que as redes sociais permitem ou no distanciamento que promovem, algumas pessoas se sentem à vontade para expressar todo tipo de agressão e difusão de mentiras, ferindo a honra e a dignidade de outras pessoas. Usam a extraordinária liberdade de expressão da internet para desrespeitar direitos consagrados pela civilização", discursou a presidente.

Dilma defendeu que é "tarefa urgente conciliar liberdade de expressão com a garantia de direitos individuais com respeito à diversidade", e que as que regras do "mundo online" sejam as mesmas do "mundo offline".

"Queremos que as redes sociais sejam um campo fértil de ideias, um campo fértil de proposições, um campo fértil de críticas e debates. Não queremos um campo de desrespeito e violência verbal. Uma internet livre e aberta não deve ser um espaço para disseminação de intolerância e preconceito de qualquer ordem. Sabemos e temos isso arraigado em nós, que a discordância enriquece o debate, ela abre horizontes, nos dá a chance de refletir sobre nossas convicções e reavaliar nossas certezas", disse a petista, lembrando que o governo abriu consulta pública para discussão da regulamentação do Marco Civil da Internet - a que chamou de Constituição no mundo online -, aprovado no ano passo pelo Congresso.

Ouvidoria. Dentro da campanha contra a intolerância nas redes, o governo lançou uma ouvidoria online para denúncias de crimes cometidos pela Internet, inclusive ofensas, discursos discriminatórios e de ódio. A campanha, apoiada por alguns dos maiores grupos de internet, como o Google, Facebook e Twitter, pretende que esse tipo de ações seja passível de punição, da mesma forma que acontece fora dos ambientes virtuais.

Durante a campanha presidencial do ano passado, as redes foram local fértil para discursos preconceituosos, principalmente contra pessoas que vivem no Nordeste, região do País onde Dilma obteve uma ampla vantagem de votos contra seu adversário Aécio Neves (PSDB). Algo parecido já havia ocorrido em 2010, também durante a sucessão ao Planalto.

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