Presidente corteja eleitorado evangélico desde 2002

Religiões do segmento, especialmente pentecostais, representam cerca de 15% da população

Alexandre Rodrigues e Luciana Nunes Leal, O Estadao de S.Paulo

13 de agosto de 2009 | 00h00

O crescimento das religiões evangélicas, especialmente das denominações pentecostais, a patamares próximos de 15% da população não tem passado despercebido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Desde a eleição de 2002, quando se aproximou de líderes e políticos de igrejas evangélicas, ele tem investido no relacionamento com esses grupos.Na campanha pela reeleição de 2006, a despeito da legislação eleitoral, que proíbe campanha em templos, Lula visitou a catedral da Assembleia de Deus em Santa Cruz, no Rio. Na ocasião, recebeu o apoio do bispo Manoel Ferreira, deputado pelo PTB e presidente vitalício da Convenção Nacional das Assembleias de Deus (Ministério de Madureira), um dos maiores braços da denominação no País. Geraldo Alckmin (PSDB) correu atrás e conseguiu a adesão da Convenção Geral das Assembleias. Lula também tem contado com a Igreja Universal, cujo braço político é o PRB do vice-presidente José Alencar. A igreja controla emissoras de rádio e a rede de TV Record, cuja inauguração de um canal de notícias Lula prestigiou em 2007. A Igreja Presbiteriana, no entanto, faz parte do grupo de denominações protestantes históricas, os chamados evangélicos de missão, que não costumam ter orientações políticas claras. Segundo o Censo de 2000 do IBGE, cerca de 1 milhão de brasileiros segue o culto presbiteriano, de origem britânica, que foi trazido para o País por missionários americanos. Com batistas, metodistas, luteranos e adventistas, os evangélicos de missão somam 4% dos brasileiros. Já os pentecostais são mais expressivos: 10% da população.Na saudação pelos 150 anos da Igreja Presbiteriana no Brasil, ontem, o presidente do Supremo Concílio, reverendo Roberto Brasileiro Silva, procurou diferenciá-la das outras religiões, embora não tenha feito referência direta a nenhuma delas: "Diferente das demais, nunca fomos ao governo pedir nada. Nos oferecemos para fazer alguma coisa."Brasileiro citou a relação da Igreja Presbiteriana com políticos e lembrou a presença, há 50 anos, do presidente Juscelino Kubitschek, na mesma catedral, no centro do Rio, para as comemorações dos 100 anos da chegada do missionário americano Ashbel Green Simonton ao Brasil, o marco inicial da igreja no País. Lula também citou JK e chegou a repetir um trecho do discurso dele na catedral em 1959: "Em nosso país nunca se amordaçaram lares que se abrem para a prece".Entre os convidados, estava o senador Marcelo Crivella (PRB-RJ), bispo licenciado da Universal, igreja do ramo neopentecostal. O fundador da Universal, Edir Macedo, tio de Crivella, é acusado de lavagem de dinheiro e formação de quadrilha. Assim como o presidente Lula, o governador Sérgio Cabral e o prefeito Eduardo Paes, Crivella também discursou durante o culto. Não tocou nos problemas de sua igreja, mas pediu cautela à população."Precisamos ter cuidado com aquilo que muitas vezes a gente lê, com as pesquisas, com a opinião pública, que movem os corações dos políticos, mas não podem mover o coração dos homens e mulheres que têm compromisso com a verdade que liberta e com o futuro da pátria", discursou Crivella.

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