Evaristo Sá/AFP
Evaristo Sá/AFP

Presidente cobra ‘responsabilidade’

Temer não cita denúncia contra ele, mas afirma que está em jogo no País ‘a superação de uma crise sem precedentes’; Maia não foi à cerimônia

Carla Araújo, Anne Warth e Tânia Monteiro, O Estado de S.Paulo

29 de junho de 2017 | 23h41

BRASÍLIA - O presidente Michel Temer usou o discurso na cerimônia de um ano da Lei de Responsabilidade das Estatais, nesta quinta-feira, 29, para dizer que os Poderes precisam ter “responsabilidade” e, sem citar diretamente a denúncia contra ele, afirmou que todas as instituições têm de responder por seus atos. “A responsabilidade é vacina contra ineficiência e o populismo”, disse, em evento no Palácio do Planalto. 

“O momento que atravessamos exige responsabilidade de todos, com a coisa pública, com atos e palavras. O que está em jogo é a superação de uma crise sem precedentes. Nós estamos tratando do futuro do País”, afirmou. A cerimônia ocorreu pela manhã, antes de o presidente ser notificado oficialmente da denúncia contra ele por corrupção passiva apresentada pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot. Em pronunciamento no início da semana, Temer classificou a acusação de “denúncia por ilação”.

“Veja como muitas vezes repeti a palavra responsabilidade na ideia fundamental, básica, alicerçadora, criadora, estruturante do nosso Estado brasileiro, que é um Estado em que todos respondem pelos seus atos. Estejam onde estiverem: na atividade privada, atividade pública, no Legislativo, no Executivo e no Judiciário, onde quer que estejam, todos respondem por seus atos”, afirmou o presidente no evento, que chegou a constar da agenda do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), mas ele não compareceu.

Temer disse ainda que a falta de responsabilidade destrói empresas e corrói instituições e que há uma “tentação” para o “aplauso fácil com sacrifício da responsabilidade”.

Ao destacar um ano da Lei das Estatais, o presidente fez também uma crítica indireta ao delator Joesley Batista, da JBS, a quem o governo tem tentado afirmar que contrariou ao não atender algumas demandas. “O objetivo da Lei das Estatais era proteger as empresas de um certo assédio ilegítimo. Ao fazê-lo frustramos interesse de gente poderosa”, disse. “Gente que se servia da atividade pública para objetivos não lícitos.”

Fora da agenda. Pela segunda vez na semana, Temer participou de compromisso que não constou da agenda oficial. Nesta quinta-feira, ele foi a um almoço na casa do deputado Heráclito Fortes (PSB-PI). O encontro foi posteriormente confirmado pela assessoria de imprensa do Palácio do Planalto.

Apesar de ser do PSB, Heráclito tem demonstrado insatisfação com o partido em fechar questão contra as reformas apresentadas pelo governo e pode trocar de legenda, voltando para o DEM. 

Na noite desta terça-feira, 27, Temer esteve na casa do ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes em jantar em que a sucessão de Janot foi tratada. No dia seguinte, Raquel Dodge foi anunciada. Também fora da agenda, o encontro reuniu os ministros Moreira Franco (Secretaria-Geral da Presidência) e Eliseu Padilha (Casa Civil).

Justiça. No início da manhã, Temer fez ainda uma breve participação na abertura da 15.ª Conferência dos Ministros da Justiça da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) e exaltou o papel dos chefes das pastas. “Ministro Torquato Jardim, eu quero saudar este momento. Este momento em que os ministros da Justiça... e convenhamos em toda administração pública, o ministro da Justiça é sempre uma das primeiras figuras no cenário administrativo de todo e qualquer país”, afirmou Temer.

Em meio à escalada da crise política, Temer fez a troca do ministro da Justiça há cerca de um mês e escalou o advogado para a função. Desde então, Torquato, que antes ocupava a pasta da Transparência, tem sido figura frequente em reuniões no Planalto e, nos bastidores, segundo fontes, ajuda também na estratégia jurídica de Temer.

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