Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Presidente cobra engajamento de ministros petistas

Dilma convoca auxiliares e exige que eles ‘deem o exemplo’ e se envolvam mais na articulação política do governo

Talita Fernandes, O Estado de S. Paulo

06 de agosto de 2015 | 21h50

Brasília - A presidente Dilma Rousseff convocou os ministros do PT mais próximos para cobrar envolvimento maior na articulação política do governo e para exigir que esses auxiliares “deem o exemplo”. O recado, de acordo com um dos presentes na reunião, foi claro: “Ou os ministros se envolvem ou ficará ainda mais difícil”.

A presidente relatou aos ministros petistas as reclamações de parlamentares de que eles não têm recebido para audiências “nem os parlamentares das suas bancadas”, o que acaba sobrecarregando o articulador político do Planalto, o vice-presidente Michel Temer.

Na avaliação do governo, as declarações em tom “visivelmente emocionado” de Temer na véspera refletiram sua “preocupação com o quadro” político brasileiro. Em entrevista na quarta-feira, após reunião com líderes de partidos aliados, Temer disse aos jornalistas que era preciso alguém que “unifique” o País, para evitar “uma crise desagradável”.

Dilma chamou seus auxiliares ao Palácio da Alvorada no início da tarde, pouco depois de reunir-se com Temer e com o ministro da Aviação Civil, Eliseu Padilha, braço direito do vice-presidente nas negociações políticas. Temer afirmou a Dilma que a sensação é de que seu papel tem sido em vão com o atual cenário. Segundo um interlocutor, “você conversa com os líderes, vira as costas e tudo que foi conversado se desfaz”.

Estiveram presentes na reunião com a presidente os ministros José Eduardo Cardozo (Justiça), Aloizio Mercadante (Casa Civil), Jaques Wagner (Defesa), Edinho Silva (Comunicação Social) e Ricardo Berzoini (Comunicações). A avaliação foi de que, em função das dificuldades econômicas e das investigações da Operação Lava Jato sobre vários políticos, a única saída para melhorar a situação é o envolvimento desse núcleo duro nas negociações com o Congresso.

Na conversa, Dilma cobrou essa participação ativa dos petistas e disse que Temer está “sobrecarregado” na tarefa de dialogar com os parlamentares. A presidente elogiou a atuação de Temer e de Padilha na articulação política do governo, segundo um ministro presente ao encontro.

PEC. Para o governo, a derrota sofrida na madrugada de ontem na Câmara dos Deputados, durante a votação do reajuste dos advogados públicos, reflete um cenário de “descontentamento generalizado” entre os parlamentares. A Casa aprovou ontem, em primeiro turno, uma proposta de emenda constitucional (PEC) que vincula o salário de delegados de polícia e de advogados públicos a um porcentual do salário de ministros do Supremo Tribunal Federal, teto do funcionalismo público. A votação, de 415 votos favoráveis e 16 contrários, foi vista como dura derrota do governo, que enfrenta um momento de ajuste fiscal.

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