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Presidente aposta em articuladores dentro da equipe de governo

Nova estratégia tenta diminuir queixas de falta de diálogo e compensar nomes sem ligação com área de atuação da pasta

O Estado de S.Paulo

12 de janeiro de 2015 | 02h03

A principal reclamação dos aliados da presidente Dilma Rousseff nos primeiros quatro anos de governo foi a falta de diálogo com o Congresso, partidos e movimentos sociais. Para amenizar o problema, a petista apostou em políticos com mais experiência e capacidade de articulação, como o ex-prefeito Gilberto Kassab (PSD), em Cidades, e o ex-governador Cid Gomes (PROS), na Educação, apesar de ter mantido a praxe de contemplar aliados que não necessariamente têm afinidade com a pasta, como George Hilton (PRB) no Esporte e Helder Barbalho (PMDB) na Pesca.

Especialistas ouvidos pelo Estado apontam que o cenário de queda da fidelidade da base a Dilma apontado pelo Basômetro reflete a necessidade da presidente em ampliar o diálogo com o Legislativo. "A presidente já começa seu segundo mandato com um déficit de articulação política", avalia o cientista político Murilo de Aragão, diretor da Arko Advice, consultoria especializada em mapear os movimentos do Congresso.

Expertise. Para o cientista político Antonio Lavareda, Dilma terá de empreender grande esforço para dialogar, algo que não fez no primeiro mandato, para enfrentar um cenário de fragmentação da Câmara e de redução da base. "Terá que ter notas de humildade até então inexistentes", disse.

Lavareda destacou a escolha de ministros com mais experiência política, como Kassab e Cid Gomes, que podem realizar esta tarefa com mais desenvoltura que a equipe do primeiro mandato. Ao longo dos quatro anos, Dilma trocou o titular da Secretaria de Relações Institucionais, pasta responsável pela articulação política, duas vezes.

O professor de Ciências Políticas da USP Rubens Figueiredo, entretanto, considera que a manutenção da estratégia de obrigatoriamente contemplar os partidos de sustentação ao governo e aliados regionais, como o senador Jader Barbalho (PMDB-PA), deixou em setores da sociedade a impressão de que há ministros sem afinidade com suas respectivas pastas. "No fundo, ela tentou contemplar as outras bancadas para diminuir o peso do PMDB."

O partido elegeu a segunda maior bancada na Câmara, com 66 deputados, mas deve ficar à frente do PT, que teve parlamentares indicados para ministérios e secretarias estaduais. Além disso, o PMDB é favorito a presidir a Câmara e o Senado e saiu insatisfeito da reforma ministerial, apesar de ter uma pasta a mais que em 2014. / V.H.F. e P.V.

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