Presidente afastado da Eletronuclear combinou retirada de documentos de sala lacrada

Presidente afastado da Eletronuclear combinou retirada de documentos de sala lacrada

Pedro José Diniz Figueiredo acertou a ação por telefone com o ex-diretor técnico Luiz Soares; ambos são investigados pela PF na Operação Pripyat por suposto recebimento de propinas

Mariana Sallowicz, O Estado de S. Paulo

08 de julho de 2016 | 11h48

RIO - O presidente afastado da Eletronuclear pela Operação Pripyat, Pedro José Diniz Figueiredo, e o ex-diretor técnico Luiz Soares combinaram a retirada de documentos e equipamentos de uma sala lacrada por decisão do Conselho de Administração da Eletrobras. O Broadcast, serviço de informação em tempo real da Agência Estado, teve acesso à transcrição do áudio em que eles acertam a ação por telefone.

Após ser avisado por Figueiredo que a sua sala e de outros dois diretores tinham sido lacradas, Soares reclama: "Pô, mas tem documentos meus na sala". O então presidente responde: "Não, mas se você precisar entrar lá depois, aí eu entro com você lá. Amanhã de manhã, tá?", afirmou em conversa no dia do afastamento de Soares pelo Conselho de Administração, em 14 de abril de 2016.

Soares é citado em três acordos de delação premiadas feitos por ex-funcionários da Andrade Gutierrez como recebedor de propina entre a empresa e a Eletronuclear.

O então presidente relata que a determinação ocorreu por causa de indícios de tentativas de obstrução de investigações por ele, Luiz Messias, ex-superintendente de gerenciamento de empreendimentos, e José Eduardo Brayner Costa Mattos, ex-superintendente de construção. A fiscalização foi feita pela empresa contratada Hogan Lovells.

Figueiredo pede que ele chegue por volta de 7h no dia seguinte. "Para eu lhe explicar detalhes do que é que o conselho lá resolveu, porque é que eles resolveram esse troço aí, tá bom?". Soares pergunta então se há alguma denúncia, o que o presidente afastado nega. Segundo Figueiredo, haveria evidências de que computadores "foram zerados, resetados". "A Eletrobras vai fazer uma comissão de correição e você vai ser ouvido".

Soares questiona se poderá ser afastado e Figueiredo confirma que sim. "Pode ser, com o...Com todos os benefícios, né, não é...Licença sem vencimento. Com vencimento, tudo mais, mas desde que não esteja na função (...) Mas isso eu quero conversar com você pessoalmente, por telefone não é bom não, viu?".

A Operação Pripyat, desdobramento da Lava Jato no Rio, prendeu na quarta-feira (06), no Rio, dez pessoas acusadas de desviar recursos da obra da Usina Nuclear Angra 3, investimento de R$ 17 bilhões no litoral sul do Estado. Entre os presos está o vice-almirante reformado Othon Luiz Pinheiro da Silva, ex-presidente da Eletronuclear, que já havia sido preso pela Lava Jato no ano passado e estava em prisão domiciliar desde dezembro.

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