WILTON JUNIOR/ESTADÃO
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Presidente, ao saber de anulação, pede cautela e tranquilidade

Dilma Rousseff afirmou não ter ainda informações oficiais sobre mudança em processo de impeachment e, á tarde, se reúne com ministros para discutir a questão

Luciana Nunes Leal e Tânia Monteiro, O Estado de S.Paulo

09 de maio de 2016 | 12h37

BRASÍLIA - Em evento que marcava o lançamento de universidades federais nesta segunda-feira, 9, a presidente Dilma Rousseff afirmou não ter ainda informações oficiais sobre mudança em processo de impeachment. "Não sei as consequências, por favor, tenham cautela", afirmou durante o evento. "Peço encarecidamente aos parlamentares e a todos nós tranquilidade", complementou. Antes, a presidente havia reafirmado que o processo de impeachment que agora é analisado pelos senadores 'é sem base' e sem legalidade.

Leia por que Maranhão anulou impeachment de Dilma

Alunos e professores da rede pública que estão no Palácio do Planalto para solenidade de criação de novas universidades e escolas técnicas comemoram eufóricos a decisão do presidente interino da Câmara,  Waldir Maranhão (PP-MA), de anular o processo de impeachment. Eles interromperam discursos do ministro da Educação,  Aloizio Mercadante, e depois da presidente Dilma Rousseff aos gritos de "golpistas,  não passarão" e "fica querida". Dilma pediu silêncio para continuar seu discurso e prometeu: "Depois a gente volta a gritar".

Ao chegar a notícia sobre a anulação do trâmite do impedimento,  a plateia passou a gritar "uh,  Maranhão" em exaltação à decisão do presidente em exercício da Câmara. Desde que chegaram ao palácio,  militantes anunciam a intenção de continuar no Planalto em resistência ao impeachment,  com as palavras de ordem "ocupa, ocupa, ocupa e resiste"

Reunião. A presidente se reúne, nesta tarde, em seu gabinete no terceiro andar do Palácio do Planalto, com o advogado Geral da União, José Eduardo Cardozo, e os ministros da Casa, Jaques Wagner e Ricardo Berzoini, para avaliar a decisão da mesa da Câmara e do presidente interino da Câmara.

O clima é de comemoração, mas com cautela. Dilma decidiu não ir para o Palácio do Alvorada e vai almoçar com eles no Planalto. Na verdade, o governo não sabe o que pode acontecer daqui pra frente, nem o que a oposição irá fazer para derrubar este ato no Supremo Tribunal Federal. O governo entende que precisa continuar lutando em todos os flancos e quer tentar saber o que o Senado pretende fazer neste caso, já que o processo, neste momento, está naquela Casa.

Nestas discussões, a presidente e seus ministros discutem também se há mais algum ato que possa ser desencadeado pelo governo para garantir que a suspensão da sessão da Câmara que aprovou o início do processo de impeachment seja mantido. Líderes dos partidos que apoiam o governo, assim como senadores aliados também se reuniram com Dilma para "comemorar" a decisão, mas a presidente Dilma teria reiterado que é preciso "muita cautela neste momento", dizendo que ainda há muitos recursos a serem apresentados.

Ficou decido que Cardozo dará uma coletiva às 15h, na Advocacia Geral da União. 

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