Presença de Lula no caso Palocci pode enfraquecer governo, diz pesquisador

Na avaliação de Marco Antonio Carvalho Teixeira, ao permitir atuação do ex-presidente como articulador pode passar a imagem de falta de capacidade política de Dilma

Elizabeth Lopes, da Agência Estado

25 de maio de 2011 | 18h03

A entrada em cena do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para assumir, na prática, a articulação política do governo Dilma Rousseff, no auge da crise envolvendo o ministro-chefe da Casa Civil, Antonio Palocci, pode enfraquecer politicamente o atual governo e trazer consequências negativas para a imagem da presidente. Essa é a avaliação do cientista político e pesquisador Marco Antonio Carvalho Teixeira, da PUC de São Paulo e FGV de São Paulo.

"A maneira como o governo Dilma vem conduzindo o imbróglio do enriquecimento do ministro Palocci passa a imagem de que não está havendo capacidade para administrar a crise e que a coordenação deste processo não está nas mãos da presidente, por isso, foi necessário chamar um bombeiro para apagar o incêndio, neste caso o ex-presidente Lula", destacou Carvalho Teixeira. Para ele, este fato deve trazer consequências negativas para a imagem de Dilma, "justamente num momento em que ela estava fragilizada fisicamente por causa da pneumonia que contraiu".

Além do fato de precisar da ajuda de Lula para tentar estancar a crise relacionada a Palocci, o cientista político avalia que, ao colocar a "tropa de choque" para blindar o ministro-chefe da Casa Civil, o governo Dilma acabou levando a crise para dentro do próprio governo. "O que é muito complicado, porque o caso envolve muito dinheiro e, até o momento, o ministro Palocci não encontrou uma explicação lógica para explicar o enriquecimento."

Para Carvalho Teixeira, a maneira do governo Dilma conseguir superar essa crise é manter a coesão da base governista. "O que não deverá ser tarefa fácil", complementa ele, citando como exemplo a derrota que o governo sofreu ontem na Câmara dos Deputados, na aprovação do novo Código Florestal, cujo principal condutor do processo, o relator (deputado Aldo Rebelo, do PCdoB-SP) é da base governista.

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