Presença de Edison Lobão em evento de Jango constrange Secretaria de Direitos Humanos

Ministro de Minas e Energia que apoiou a ditadura militar assistiu à divulgação do laudo pericial que apura causa da morte do ex-presidente

Fabio Brandt, O Estado de S.Paulo

01 de dezembro de 2014 | 12h46

BRASÍLIA - A presença do ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, no evento de divulgação do laudo pericial sobre análises feitas nos restos mortais do ex-presidente da República João Goulart causou constrangimento para a Secretaria de Direitos Humanos da Presidência.


Lobão foi filiado à Arena e apoiador da ditadura militar, regime que depôs Jango e, hoje, é suspeito de ter contribuído para que ele fosse morto. A análise dos peritos foi inconclusiva sobre a causa da morte e a tese de assassinato não foi descartada.


"Nós convidamos para esta solenidade todos os ministros que compõem o governo da presidenta Dilma, porque a decisão com o compromisso do resgate da memória nesta questão específica da morte do ex-presidente João Goulart é uma posição de governo", disse a ministra da SDH, Ideli Salvatti, em resposta a uma questão feita na entrevista coletiva após a divulgação do laudo. 


A assessoria da SDH interrompeu a coletiva após a pergunta sobre Lobão ser feita para dizer que o momento era destinado a esclarecimentos sobre a análise dos peritos. Um burburinho tomou conta do auditório.


Após o constrangimento evidenciado pela interrupção, a ministra respondeu à pergunta. "Seria interessante perguntar a ele o que o trouxe à solenidade", disse Ideli.  "Como eu sou militante sem vacilação da democracia e da evolução das pessoas, fico mais animada quando alguém que tenha eventualmente apoiado [a ditadura] e passa a defender o resgate da memória e da justiça do que quando a gente vê pessoas que sofreram com a ditadura e estão agora insinuando golpe militar".


Em seguida, o filho de Jango, João Vicente Goulart, também falou sobre o assunto. "Eu também não sabia do motivo da presença do senador Lobão. Mas referendo as palavras da ministra". Ele disse ainda que é preciso conviver com os diferentes pensamentos e fez uma brincadeira: "ainda bem que não era o outro Lobão, o músico", em referência ao cantor que está fazendo oposição ao governo de Dilma Rousseff. "Não existe inimigo com quem não se possa recompor ou amigo com quem não se possa romper", concluiu João Vicente, em referência a uma frase atribuída a seu pai.

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