Presbiterianos comemoram 100 anos com festa

A Igreja Presbiteriana Independente do Brasil (IPIB) está comemorando nesta sábado o seu centenário com uma concentração no Ginásio do Ibirapuera, em São Paulo, onde estão reunidas cerca de 15 mil pessoas vindas em caravanas de todos os cantos do País. O ponto alto da celebração será o culto de ação de graças, às 19 horas, com a participação de um coral de duas mil vozes e uma pregação do reverendo Abival Pires da Silveira, pastor da Catedral Evangélica de São Paulo.Fundada em 31 de julho de 1903, quando um grupo de sete pastores e 15 presbíteros se rebelou contra o domínio dos missionários da Igreja Presbiteriana dos Estados Unidos, a IPIB nasceu para ser uma igreja nacional e autônoma.Um dos líderes desse movimento foi o gramático e filólogo Eduardo Carlos Pereira, pastor da Primeira Igreja Presbiteriana, a atual Catedral Evangélica da Rua Nestor Pestana, que funcionava então num modesto bangalô da 24 de Maio, no centro da capital paulista. ?Todo o material usado na construção foi importado, porque durante o Império era proibido negociar com os protestantes?, lembra o reverendo Abival, ao contar a história do presbiterianismo.Os missionários evangélicos se estabeleceram no País no século 19, depois de duas tentativas frustradas ? uma em 1557, quando João Calvino, um dos líderes da Reforma Protestante, enviou ao Rio de Janeiro um grupo de pastores, a pedido do invasor francês Nicolas Durand de Villegagnon, e outra, cem anos mais tarde, durante a ocupação holandesa do Nordeste.De origem e inspiração calvinista, a Igreja Presbiteriana do Brasil ? da qual se desmembrariam a Independente e outras igrejas presbiterianas, como a Conservadora, a Reformada e a Unida ? foi fundada pelo reverendo Ashbel Green Simonton, um missionário americano que desembarcou no Rio em agosto de 1859 e dirigiu o seu primeiro culto em português em abril do ano seguinte.Com a ajuda dos Estados Unidos, o presbiterianismo abriu templos e escolas, entre as quais a atual Universidade Mackenzie. É presbiteriana também a Associação Cristã de Moços (ACM). ?A Igreja Presbiteriana Independente do Brasil tem cerca de 100 mil membros e 700 comunidades, sob a direção de 720 pastores, 5 mil presbíteros e 7 mil diáconos?, informa o reverendo Assir Pereira, presidente da Assembléia Geral, órgão máximo na direção da igreja.A Região da Grande São Paulo tem 153 templos. Desde que a IPIB passou a admitir a ordenação de mulheres, há seis anos, vem aumentando o número de pastoras, presbíteras e diaconisas. Os pastores, que estudam cinco anos de teologia em seminários, são os responsáveis pela direção da comunidade, à qual muitos se dedicam em tempo integral. Os presbíteros têm funções administrativas e os diáconos cuidam de serviços sociais. ?Consciente de que tem de lutar pelo resgate de sua presença profética no mundo, a IPIB tem projetos sociais ao lado de cada templo?, informa o reverendo Assir.São creches, casas de amparo a mães adolescentes, obras de assistência a moradores de rua e iniciativas de apoio aos trabalhadores sem-terra, por exemplo, ?numa linha de centro esquerda, sem conotação político-partidária?, para resgate da cidadania e da dignidade humana. ?A Igreja Presbiteriana Independente se mobiliza em socorro da população carente?, afirma o seu presidente, lembrando que esse envolvimento vem da época da ditadura, nos anos 60, quando os atuais dirigentes estudavam nos seminários. O reverendo Abival, pastor da Catedral Evangélica da Rua Nestor Pestana, disse que os presbiterianos independentes procuram ser fiéis à dimensão política e social do Evangelho, a exemplo dos primeiros discípulos de Cristo. Nesse ponto, o ideário da IPIB se aproxima da linha da Igreja Presbiteriana Unida, à qual pertencia o pastor Jaime Wright, que se notabilizou por sua resistência ao regime militar. Ao contrário da Igreja Presbiteriana do Brasil, que tem cerca de 300 mil membros e é mais conservadora, a Independente participa do diálogo inter-religioso e do movimento ecumênico com outras Igrejas, incluindo a Católica.

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