Presa quadrilha acusada de roubar R$ 100 milhões de bancos

A Polícia Federal prendeu, nesta terça-feira, em quatro cidades, 17 pessoas acusadas de fraude no sistema bancário, que rendeu, segundo levantamento preliminar, um rombo de R$ 100 milhões em várias instituições financeiras.O grupo atuava no interior do Pará e de Goiás usando a internet para acessar senhas de correntistas, com as quais transferiam dinheiro para uma conta fantasma. Entre as vítimas das fraudes estava o Banco do Brasil.O golpe foi descoberto depois de uma investigação iniciada há pelo menos seis meses pela Coordenação de Inteligência (CI), Coordenação-Geral e Delegacia de Polícia Fazendária da PF, em Brasília.Foram utilizados pelo menos 70 agentes para prender 13 pessoas em Parauapebas, duas em Marabá, no sul do Pará, e outras duas em Belém e Goiânia. A PF acredita que a quadrilha tinha ramificação em outros Estados e, por este motivo, os nomes dos envolvidos não foram divulgados.A quadrilha, segundo fontes da PF, era especializada em transferências bancárias fraudulentas pela internet."Eles criaram sistemas que possibilitavam acessar senhas de clientes de diversos bancos, de onde retiravam, muitas vezes, todo o dinheiro e o repassavam para uma conta fantasma criada especialmente para receber os recursos do golpe", informou um delegado da PF que participou das investigações.Na avaliação preliminar feita por policiais, depois de ouvir alguns dos implicados, até agora o rombo causado em pelo menos dez instituições bancárias chega a mais de R$ 100 milhões."Acreditamos que os valores reais podem ser até quase o dobro do montante descoberto inicialmente", admitiu uma fonte da PF.O grupo, conforme as investigações feitas pelo Setor de Inteligência da Polícia Federal, escolheram duas cidades pequenas, escondidas na floresta amazônica, para aplicar os golpes sem levantar suspeitas.Uma delas foi Parauapebas, no sul do Pará, próximo ao garimpo de Serra Pelada. A outra foi Marabá, a terceira cidade do Estado, também praticamente isolada.Os golpes também foram dados em Goiânia e Belém, onde a PF supõe que existam outros envolvidos. "Denominamos de Operação Cash-net, porque se tratava de dinheiro vivo, conseguido via computador, um golpe já visto, mas não com tamanha soma de recursos envolvida", observa o policial federal.Para chegar aos acusados, a PF montou um sistema de vigilância nas duas cidades paraenses, utilizando até agentes da Divisão de Operações Aéreas (Daop) e também de Sergipe, onde também há suspeita da existência do golpe. "É um grupo só, mas deve haver outros envolvidos", ressalta um delegado que faz parte da operação.A descoberta das novas fraudes aumenta as estatísticas de crimes cometidos contra o sistema financeiro, que hoje está em torno de R$ 27 bilhões. "Estamos desenvolvendo outras 25 operações, justamente para descobrir novos casos."

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