Preocupado, FHC evita falar sobre a crise no mercado

Apesar da preocupação com a manutenção do nervosismo do mercado e do crescimento do risco Brasil, o presidente Fernando Henrique Cardoso e os principais auxiliares preferiram não se pronunciar oficialmente sobre os problemas do terceiro dia consecutivo de alta do dólar e queda nas bolsas.Auxiliares do presidente consideram ?um exagero? falar em ataque especulativo ao Brasil e fazem questão de ressaltar que a cotação do dólar ainda não atingiu os patamares do final do ano passado, quando havia atingido R$ 2,80. Todos insistem que é preciso que se lembre que o câmbio é livre e que o governo manterá a política em curso.O presidente está acompanhando atentamente o comportamento do mercado, mas preferiu deixar que a questão fosse conduzida diretamente pelo presidente do Banco Central, Armínio Fraga, e o ministro da Fazenda, Pedro Malan. Fernando Henrique, durante todo o dia, foi avisado do comportamento da economia.Tentou, no entanto, manter a calma, cumprindo uma extensa agenda que incluiu desde uma conversa com a atriz Dercy Gonçalves, até o recebimento de reivindicações dos pequenos e micro empresários. Ele espera que o mercado possa se acalmar nesta sexta-feira e, aos poucos, retomar os índices anteriores do dólar e da bolsa.Nas conversas com auxiliares, o presidente tem reiterado que essas oscilações de curto prazo são típicas de funcionamento do mercado e as turbulências são passageiras. Ele insiste ainda que não vê razão para que pesquisas eleitorais tenham influência significativa no comportamento do mercado. Para o presidente, ainda faltam vários meses para as eleições e que o quadro não está definido.Apesar de reconhecer as dificuldades enfrentadas pelo candidato do PSDB, José Serra, o Planalto não consegue saber o que está impedindo que ele deslanche nas pesquisas. Na noite de quarta-feira, quando havia grandes preocupações com as movimentações financeiras, o presidente se reuniu por pelo menos uma hora com Serra, no Planalto.Hoje, o presidente do PSDB, José Aníbal, esteve reunido com Fernando Henrique no Alvorada e, mais uma vez a manutenção do candidato do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, à frente das pesquisas e as conseqüências disso na economia foram discutidas. Mas Fernando Henrique faz questão de repetir que ?os fundamentos da economia brasileira seguem sólidos? e que não há motivos para se achar que o Brasil não terá condições políticas de seguir mantendo a estabilidade da moeda.O presidente faz questão de lembrar também que a população não quer e não deixará a inflação voltar e, por isso, o governo vai se manter firme na contenção dos gastos públicos, sem misturar eleição com o governo.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.