Prêmio homenageia jornalistas mortos no exercício da profissão

Entidade mostra estudo sobre assassinatos de profissionais da imprensa desde 1992; maioria das vítimas é de mídia escrita

O Estado de S.Paulo

02 de junho de 2015 | 02h02

O prêmio anual Caneta de Ouro da Liberdade, da Associação Mundial de Jornais e Editores, foi dedicado este ano à morte de 1.100 jornalistas no exercício da profissão no mundo desde 1992. De acordo com as estatísticas da entidade, 51% das baixas envolveram jornalistas de veículos da imprensa escrita, sendo que 39% do total morreu em cobertura de conflitos e guerras.

Os dados foram revelados durante a cerimônia de abertura de uma agenda múltipla do setor, que agrega, até amanhã, o 67.º Congresso Mundial de Imprensa, o 22.º Fórum Mundial de Editores e o 25.º Fórum Mundial de Publicidade, em Washington. "A tragédia desse massacre é amplificada por uma estatística assombrosa: autores de nove entre 10 assassinatos de jornalistas não são punidos. Ultimamente, isso é o que alimenta as chacinas. A impunidade estimula os crimes, amedronta a sociedade com sangue e nega o direito à liberdade de imprensa", disse ontem Marcelo Rech, presidente do Fórum Mundial de Editores e diretor executivo de Jornalismo do Grupo RBS.

A premiação ocorre anualmente desde 1961 em reconhecimento a iniciativas individuais, de grupo ou institucionais em defesa da liberdade de imprensa. Este ano, a associação decidiu fazer uma homenagem às vítimas da violência. "Queremos enviar uma mensagem àqueles que tiram a vida dos jornalistas, assim como aos legisladores para que reforcem a proteção daqueles que lidam com notícias ao redor do mundo", declarou em nota a associação.

Entre os países que oferecem mais riscos a jornalistas, segundo o levantamento, estão o Iraque, com 166 mortes desde 1992, Síria (80), Somália (56), Paquistão (56) e México (32). Quase 90% das mortes ocorreram no país dos próprios jornalistas. Segundo a associação, os profissionais locais são provavelmente menos treinados, pagos e protegidos. Fazem coberturas em regiões onde jornalistas estrangeiros não conseguem mais ter acesso, ou para o qual seus empregadores não mais desejam mandá-los a trabalho. Além das guerras, as trocas de tiros registradas em ocorrências policiais ocupam o segundo lugar na lista das causas das mortes, com 224 baixas. "Não há liberdade de expressão sem proteção e segurança para a prática do jornalismo", destacou Rech. "É por isso que estamos aqui (Washington), para celebrar a liberdade e para reafirmar nosso compromisso com todos aqueles mortos em campo. O sacrifício deles não foi em vão. Vamos batalhar pelos mais altos ideais do jornalismo, que é denunciar todas as formas de injustiça e ainda contribuir para um mundo mais livre e pacífico."

A associação, com sede em Paris, na França, e em Darmstadt, na Alemanha, é uma organização de jornais e novas mídias, que representa 18 mil publicações, 15 mil sites e cerca de 3.000 empresas em mais de 120 países. Sua missão central é a defesa da liberdade de imprensa, bem como do jornalismo de qualidade e integridade editorial.

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