Pregão não é imune a fraude, dizem especialistas

Nenhum sistema, nem mesmo o pregão eletrônico, é imune às fraudes, pois depende do fator humano para funcionar - como no caso da máfia dos parasitas, em que a representante de uma empresa de serviços médicos interfere diretamente em uma licitação, ao trocar informações com o pregoeiro de um hospital público. A opinião é de especialistas ouvidos pelo Estado.Na visão deles, no entanto, o escândalo não chega a diminuir a credibilidade do pregão eletrônico, visto como a forma mais eficaz de evitar conluio entre fornecedores. Nos leilões presenciais, os concorrentes têm mais chances de combinar preços."Quando há o fator humano, na figura do pregoeiro, não existe um sistema imune à burla. A fraude pode residir no contato direto - via telefone celular - do pregoeiro de má-fé com um representante de uma empresa que esteja participando do pregão on line. As informações são passadas de modo que o tal representante apresente lances (pelo sistema) manipulados", explicou o advogado especializado em licitações Sidney Bittencourt, autor do livro Pregão Eletrônico.O mestre em direto público Guilherme Amorim concorda com seu colega: "A questão é saber se os instrumentos de fiscalização são ágeis o suficiente para coibir as fraudes, mas o sistema de pregão eletrônico existe desde 2002 e esta é a primeira vez que ouvimos falar de problemas. Não existem, no entanto, sistemas infalíveis."O pregão é uma tendência no setor público. Somente nos seis primeiros meses deste ano, o governo federal economizou R$ 1,8 bilhões em compra de produtos com o uso do método.

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