Preferência pessoal indica que Rafale será escolhido

A surpresa será se, na última hora, não der Rafale na escolha do novo caça de alta tecnologia da Força Aérea. A preferência pessoal do presidente Lula pelo caça francês é, a rigor, uma antecipação da escolha F-X2 que, ao menos formalmente, ainda depende de ajustes nas garantias jurídicas.

Roberto Godoy, O Estadao de S.Paulo

07 de setembro de 2009 | 00h00

É assim porque o Comando da Aeronáutica construiu um processo de escolha essencialmente técnico - até o momento da decisão final. Nesse ponto o procedimento vai para o governo e passa a ser político. O relatório de conclusão confere pontos a cada uma das três ofertas finalistas. Lula e o ministro da Defesa, Nelson Jobim, poderão fazer a opção. Se essa é a fórmula, o inesperado, depois das declarações à imprensa francesa sobre sua simpatia, será se a encomenda for entregue ao F-18 E/F Super Hornet americano ou ao Gripen NG, sueco.

O Rafale-3, versão que só agora começa a ser entregue para a aviação militar da França, é a proposta mais cara. Isso, todavia, não o eliminou da F-X2. Na sexta-feira, Jobim disse ao Estado que o governo pode até pagar mais caro desde que receba toda a tecnologia que pretende e precisa. Nesse pacote deve constar obrigatoriamente a abertura de todos os códigos fontes da aeronave e de seus sistemas, o equivalente ao cérebro e coração. Mais que isso, também será obrigatório ofertar o conhecimento da engenharia de furtividade, destinada a conferir alguma invisibilidade ou dificuldade de localização frente a sensores inimigos.

Nesse mesmo segmento o Rafale incorpora recursos de automação dos aviões sem piloto. A tecnologia é usada para aliviar a carga de trabalho durante as missões de combate. Em defesa do caça, Nicolas Sarkozy disse, há dois dias, que a relação entre o Brasil e a França "não é a existente entre um fornecedor e o seu cliente, mas, sim a de uma parceria (...). Nossa cooperação estratégica no campo da Defesa baseia-se em transferência de tecnologias e extensas produções conjuntas". Para Sarkozy, essa dimensão é significativa, "a ponto de permitir que possa considerá-la sem precedentes".

Os outros dois concorrentes mantêm a pressão. Não é desprezível a manifestação da secretária de Estado, Hillary Clinton, garantindo o acesso a conhecimento sensível, de sistemas e armas, caso o avião americano seja o vencedor. Os suecos por sua vez não fazem por menos: oferecem a produção no País dos 36 aviões. Que, no final, podem virar 120.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.