Prefeitura pede a volta do Fórum Social Mundial a Porto Alegre

Depois das derrotas eleitorais do PT no Estado, os organizadores procuraram outras sedes para o evento

Elder Ogliari, de O Estado de S.Paulo

27 de janeiro de 2009 | 18h05

O prefeito de Porto Alegre, José Fogaça (PMDB), pediu aos organizadores que levem o Fórum Social Mundial de volta à capital gaúcha na próxima edição. Em correspondência enviada ao Comitê Organizador do evento, argumentou que há similaridade entre a intenção do Fórum, que é "vislumbrar novas alternativas para melhoria da qualidade de vida dos povos, através de políticas públicas e iniciativas convergentes nesse sentido", e as características do município, que "tem mostrado um novo modelo de gestão administrativa, paradigma para o mundo".  O texto lembra que a governança solidária, iniciativa da atual gestão, soma potencialidades da sociedade e do poder público para gerar capital social e atingir metas necessárias ao desenvolvimento. A iniciativa da prefeitura não vai se limitar à carta. A secretária de Coordenação Política e Governança Local, Clênia Maranhão, viaja para Belém nesta quinta-feira para fazer campanha pela capital gaúcha junto aos organizadores do Fórum. "Porto Alegre é uma cidade configurada para a diversidade e para a liberdade de pensamento e expressão", destaca a secretária. Apesar da tentativa de Fogaça, há descrença na volta do Fórum ao Rio Grande do Sul entre os próprios gaúchos. Logo depois de saber da mobilização do prefeito, o deputado estadual Dionilso Marcon (PT) emitiu uma nota advertindo que "o ambiente de permanente conflito e de criminalização dos movimentos sociais impede que o Rio Grande do Sul volte a sediar o Fórum Social Mundial", numa referência à rapidez com que a Brigada Militar, sob o comando da governadora Yeda Crusius (PSDB), aliada de Fogaça, se mobiliza para conter manifestações, protestos e invasões de terra. "Há uma discrepância entre a intenção do prefeito e a relação que o governo gaúcho estabelece com os movimentos que dão sustentação ao Fórum Social", afirma Marcon. "Hoje, infelizmente, o Rio Grande do Sul não inspira a idéia de que um outro mundo é possível", acredita o parlamentar. O Fórum Social Mundial foi criado em 2001, com apoio da prefeitura de Porto Alegre e do governo do Estado, então comandados pelo PT, para oferecer alternativas ao neoliberalismo, e permaneceu na cidade em 2002, 2003 e 2005. Depois das derrotas eleitorais do PT no Estado, em 2002, e em Porto Alegre, em 2004, os organizadores procuraram outras sedes para o evento.

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