Prefeitura já resgatou parte do dinheiro

Valores saíram da Ilha de Jersey e estão em posse do Banco Central

Bruno Tavares e Marcelo Godoy, O Estadao de S.Paulo

04 de agosto de 2009 | 00h00

Uma derrota judicial do ex-prefeito de São Paulo e atual deputado Paulo Maluf (PP-SP) na Ilha de Jersey, no Canal da Mancha, rendeu US$ 534 mil (o equivalente a 320 mil libras esterlinas) aos cofres municipais. O valor se refere às custas processuais de duas ações que pediam o bloqueio de recursos do ex-prefeito no exterior.O ressarcimento, feito em libras esterlinas, chegou ao Banco Central na semana passada. Após operação de câmbio, o dinheiro será transferido para a prefeitura. O advogado que subscreve as das ações contra Maluf é o inglês Andrew Witts, o mesmo que pediu o bloqueio de contas usadas pelo grupo terrorista Al Qaeda para financiar atentados. Witts foi contratado pela Secretaria de Negócios Jurídicos da prefeitura em 2004.A ação civil pública movida ontem pela Promotoria de Defesa do Patrimônio Público da capital deve dar ao advogado a possibilidade de preparar nova ofensiva para tentar repatriar o dinheiro supostamente remetido por Maluf para o exterior.Em abril, a prefeitura e o Ministério Público Estadual já haviam obtido liminar do juiz Michael Birt, em processo na corte da Ilha de Jersey, para bloquear US$ 22 milhões em ações que supostamente pertencem a empresas da família Maluf. O dinheiro faria parte de recursos públicos desviados na gestão do ex-prefeito (1993-1996). Em outra ação, foi pedido o repatriamento para o Brasil de US$ 13 milhões em dinheiro que ainda estão em Jersey. Ainda não houve decisão.Essas foram as primeiras ofensivas do município para tentar recuperar os recursos que, segundo o Ministério Público, foram desviados de obras públicas. Também em abril, o Ministério Público, a prefeitura e o Deutsche Bank fecharam acordo de colaboração no qual a instituição financeira se comprometeu a pagar US$ 4 milhões ao município, US$ 500 mil ao Estado e US$ 500 mil à União.As ações contra Maluf têm sido planejadas em conjunto entre o procurador-geral do município, Celso Augusto Coccaro Filho, e o secretário municipal de Negócios Jurídicos, Cláudio Lembo. Após a conclusão das ações movidas em Jersey, a meta da prefeitura e dos promotores é buscar nos EUA os possíveis recursos desviados do município.O Ministério Público já sabe que parte desses dólares foi convertida em ações da Eucatex nos EUA. Os promotores e advogados da prefeitura estudam agora qual a melhor forma de pedir o repatriamento dos valores.

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